terça-feira, 27 de setembro de 2011

Um pouco de tempero nas agruras da vida

Há mais de 30 anos funciona aqui no bairro, um estabelecimento comercial que chamamos carinhosamente de “mercadinho do seu Gil”, uma espécie de mercearia das antigas, cujo nome oficial é “Empório das Nações”.


Fica na Rua da Prata e ali está porque é anterior à regulamentação do zoneamento.



Vende um pouco de tudo. Na realidade é o pronto socorro das donas de casa para o preparo de qualquer prato de última hora. Não vende carnes frescas, mas tem toda espécie de frios, embutidos, queijos, pães variados, hortifruti, enlatados, matinais e por aí vai. E tudo de excelente qualidade. Ah, tem uma espirradeira ao lado, que está sempre florida.


Mas o que eu gosto mesmo é de parar no corredor dos temperos e chás. O aroma chega à porta e é impossível sair dali sem levar diversos pacotinhos. É tudo comprado a granel e embalado pelos proprietários, tudo fresquinho. Hoje fui buscar cheiro verde e é claro, trouxe camomila e erva doce também.


Toda vez que entro no mercadinho do seu Gil, lembro de um dos meus filmes favoritos, “O tempero da Vida”, uma produção grega de 2003, que conta a história de um garoto grego que vive em Istambul, na Turquia e passa muito tempo com o avô, um filósofo culinário que o ensina que tanto a comida quanto a vida precisam de um pouco de sal para ganhar sabor. E, toda vez que assisto ao filme, sinto, o tempo todo, o aroma do corredor das especiarias do mercadinho do seu Gil.

2 comentários:

  1. Que êsses pequenos mercados permaneçam espalhados pelas ruas dos bairros,pois neles acabamos sendo a Maria, Inês, Carlos e não simplesmente um freguês a mais!Proprietário e freguêses acabam se tornando conhecidos ,de fato.
    E vamos lá minha amiga Lidia: muito tempero e dos bons para temperar as agruras da vida!

    abraço grande

    ResponderExcluir
  2. Márcia, você disse uma grande verade, nesse mercadinho o seu Gil chama as pessoas pelo nome ou brinca dando-lhes apelidos divertidos. É impossível sair de lá sem um dedo de prosa. Meu pai o chamava de Manoel , porque é português, então seu Gil passou a chamar meu pai se "seu Joaquim" e assim ficou. Acho que ele nem lembra mais o nome certo dele. Um pouco do que restou deste bairro...

    ResponderExcluir

Obrigada pela visita. E por favor, deixe seu nome para que possa agradecer individualmente.