Assistindo aos noticiários sobre a violência crescente em nossa cidade, sempre me reporto a uma instituição onde trabalhei: Fundação Lar de São Bento – Casa D. Macário – Vila Maria - SPFoi ali que lecionei de 1985 a 1988.
1º de abril de 1985 – Dia do meu registro na Carteira Profissional.
Uma instituição beneficente, mantida por ex-alunos do Colégio São Bento, que abrigava em regime de semi-internato, meninos do grupo “de risco”, que necessitavam de assistência e acompanhamento. Vinham da favela do Parque Novo Mundo, mais precisamente da “Funerária”, a ala mais miserável da favela.
Na casa, os meninos recebiam alimentação, instrução, assistência médica, odontológica, psico-social e formação profissionalizante, freqüentando o lar no período das 7 às 19 h de segunda a sexta-feira.
O diretor, desde a fundação era Dom Afonso Niessl O.S.B. – monge beneditino, alemão, cego, que com pulso forte e muito amor conduzia a instituição, selecionava pessoalmente os funcionários e conhecia a história de vida de cada menino. Era a alma daquela comunidade.
Além das dependências administrativas e das salas de aula, a Casa dispunha de quadras de esporte, vestiários, refeitório, cozinha industrial equipada e uma oficina com 50 tornos e diversos materiais para o desempenho das atividades profissionalizantes – tornearia mecânica e eletricidade. Os meninos saíam da Casa, após a 8ª série do 1º grau, aptos para prosseguir os estudos e exercer como “meio oficial” suas profissões.
De modo geral rebeldes e inconformados com os desmandos a que eram submetidos em seus lares, encontravam ali um ponto de referência para uma vida nova e diferente. Atenção, carinho, disciplina, orientação e cuidados faziam com que gostassem dali e colaborassem para o bom funcionamento da Casa. Participavam da organização, limpeza e atuavam como ajudantes de cozinha e no refeitório.
A condição para o menino ter direito a permanecer ali era estudar, interessar-se pelas aulas práticas, manter a média escolar, ser assíduo. Ao ingressar um familiar adulto assinava um termo de responsabilidade, garantindo que no período que estivesse fora da Casa, o menor seria assistido. As famílias também recebiam assistência e orientação.
Hoje, fiquei feliz, pois ao buscar uma foto para ilustrar este relato fiquei sabendo que o sonho de Dom Macário, perpetuado por Dom Afonso continua espalhando o bem naquela região.
Confira: www.casadommacario.org.br