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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Quando o Natal chegar



Desta vez, quando o Natal vier, não imagine o presente que vai dar ou receber, não imagine o peru que vai reunir a família, não imagine a alegria dos abraços, beijos e reencontros.

Desta vez, quando vier o Natal, não imagine o Menino Jesus na manjedoura, não imagine o presépio com água, rodinhas de moinhos, os pastores, os carneirinhos, os reis magos... Não pense na árvore de Natal, não pense no rechonchudo e bonzinho Papai Noel. Não conte para as crianças a história de Papai Noel, não pense no vestido novo, não sonhe com os presentes.

Se tiver a tentação de sair por aí desejando feliz Natal, se quiser enviar  cartões de boas festas, com aquele batido, manjado e já mil vezes desejado Feliz Natal e Próspero Ano Novo; se por qualquer razão estiver planejando sair, não saia.

Desta vez, quando chegar o Natal, faça uma coisa que os devotos daquele tempo não fizeram, acolha uma família pobre e partilhe com ela o seu Natal, ou vá até elas e faça ali o seu Natal. 

Natal é mais ou menos isto. O dia 25 de dezembro não muda a humanidade. Nós é que precisamos mudar o significado do dia 25 de dezembro em nossos lares. É dia de Jesus Cristo. É dia de paz na terra aos homens de boa vontade e não de festejar a chegada de uma criança, para a qual, no ano anterior não houve nem sequer uma missa dominical que exige tão pouco... 

Passe o Natal em Paz. Conte para seus filhos, ou netos a história de Jesus, Maria e José. Peça desculpas do que porventura magoou a família durante o ano. Depois disso, saia por aí desejando a todos um Feliz Ano Novo, mesmo que não seja tão próspero...

sábado, 3 de agosto de 2013

Anotações de viagem


Estou cansada, mas não poderia dormir sem registrar, pelo menos um pouco das impressões deste dia, enquanto estão bem vivas. Mais de 200 fotos para editar, uma edição bem enxuta e tenho uma amostra expressiva de momentos que não esquecerei.


 
Saímos logo cedo, rumo ao norte, à caça de lagoas. A seca castigou por aqui e as primeiras estavam muito baixas, decepcionantes. As lagoas, pois a paisagem sempre surpreende.




Semi árido alternando-se com litoral e lá estávamos aos pés da "Árvore do Amor". Duas árvores que entrelaçadas se fizeram uma.




 
Caminhos estreitos, dunas e já avistávamos no horizonte as torres de energia eólica e suas hélices em giros eternos - aqui o vento nunca para.





 


Enfim, uma lagoa perfeita: a lagoa da Cotia. Água tépida e transparente para refrescar e petiscos locais para revigorar o corpo.






 
Dali seguimos para o município de Pureza, onde visitamos a fazenda e o alambique da empresa Extrema. O aroma daquele galpão de envelhecimento da água ardente era irresistível.



Em seguida fomos visitar a principal atração da cidade: o olho d´água, uma nascente vigorosa, que brota em meio a rochas calcárias, e cujas águas cristalinas apresentam-se em tons azulados. No entorno, um grande bosque, foram construídas obras de infraestrutura que possibilitam uma estadia tranquila para os visitantes, bem como uma imensa piscina pública, com fundo de areia e água corrente, perfeitamente integrada com a natureza local.

Além de proporcionar lazer, no olho d´água existe uma central de captação e tratamento,  responsável pelo abastecimento de diversas cidades da região.






É claro que caímos na água e foi só alegria.



Na volta o lindo por do sol, fechou com chave de ouro nosso sábado.


Ah! Não falei das pessoas, mas será que precisa?

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Chega dezembro e com ele boas lembranças


Na adolescência passei a participar mais assiduamente das festividades na Igreja do Sagrado Coração. Naquela época, o ciclo natalino era vivenciado intensamente e a liturgia da data muito bem elaborada.



Lembro-me dos ensaios onde jovens Marianos, Filhas de Maria, Legionários de Maria e Catequistas reuniam-se, para, sob a batuta do professor Ari, e orientação do vigário, Padre Ângelo Gianola, ensaiar o “Adeste Fideles” em latim além da tradicional Noite Feliz e do “Exultai ó filha de Sião”, ensinada pelo próprio vigário italiano, que às escondidas imitávamos: "Ecsulllltai ô filia de Sion o senhorrrr chegarrrá!”.

À meia noite do dia 24 de dezembro a Missa do Galo era solene. Toda a comunidade atuante presente. No altar, padres do PIME e convidados, acólitos, coroinhas e o senhor Emílio Toscani, príncipe italiano, já idoso, cuidando do cerimonial com austeridade.

A igreja lotada. Além das pessoas que sempre frequentavam as cerimônias, nessa noite ali se encontravam aquelas que só iam à igreja para as missas nas datas festivas, a maioria com roupas novas e perfumadas, cujo olor, misturado ao do incenso e ao ar da noite, produzia um aroma característico que com aquele, das castanhas cozinhando, emergem das minhas lembranças como “cheiros de Natal”.

E nada melhor do que caminhar rumo ao Natal com  este ADESTE FIDELES 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Mais uma vez é Natal...


...e como em todos os anos, me reporto à infância, onde o Natal era o que de melhor a vida podia oferecer.

Mesmo sendo meu pai operário de fábrica e minha mãe uma modesta dona de casa, sempre tivemos natais maravilhosos, plenos de fantasias, desejos realizados e com profundo significado.

De nossos poucos vizinhos, éramos as únicas crianças que acreditavam em Papai Noel. Meus pais não tiveram medo de correr o risco e contemplar-nos com essa fantasia.

Quando o fantasma do desemprego instalou-se em nosso lar e parecia que pela primeira vez o Natal seria diferente, eles, com sua criatividade e amor garantiram a realização de nossos sonhos.

Meu pai, na pequena oficina de meu tio, trabalhando noites a fio até altas horas e minha mãe, segurando-nos dentro de casa, para que não “atrapalhássemos” o trabalho dele, garantiam os presentes.

Na manhã da Grande Festa, debaixo de nossa árvore (de cipreste vivo), aguardavam-nos exclusivos brinquedos confeccionados com madeira, tecidos e outros materiais que circulavam em nossa casa. Papai Noel trouxera. Não sei como, mas não duvidávamos disso.

Acho que meus pais, em sua simplicidade, entenderam o verdadeiro sentido do Natal. Burlaram as dificuldades, os apelos consumistas e as crises domésticas formando em nós, graças à força de seu amor, um conceito sólido sobre o significado dessa festa e da própria vida.

Este ano, já arrumei a árvore nesta casa que é a de meus pais, pela primeira vez sem a participação da minha mãe, mas toda dedicada a ela em memória de todos os magníficos natais que me proporcionou.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Peixe fora d’água

Preciso ir a Natal – RN, visitar meus netos que há muito não vejo. Mais uma vez irei enfrentar o sufoco do pânico de entrar em um avião. Não adianta, não consigo superar. E mais uma vez sai lá do fundo do baú, as peripécias da primeira viagem aérea, quando,em agosto de 1988, ganhamos, meu marido e eu, uma estadia de 7 dias, com tudo pago no Clube Mediterranée de Itaparica, BA.



Marinheira de primeira viagem guardava as imagens das revistas antigas, quando ainda lia revistas, onde nas propagandas das companhias aéreas ou em reportagens, apareciam mulheres chiquérrimas, de chapéu e luvas. Também minhas primas, da família de um comandante, eram pessoas muito finas que se vestiam nos melhores ateliês de São Paulo.



Assim, lá fui eu, num vôo para Salvador – o avião, não sei o modelo, mas era da Trans Brasil e não muito grande – numa manhã de calor extremo, toda vestida de seda, com direito a meias e sapatos altíssimos (ainda os usava naquela época). Logo ao me acomodar pude perceber que era um peixe fora d’água.



Encolhida na poltrona, suando frio de pavor, com a cabeça a aumentar e diminuir de volume a cada oscilação do vôo, via circular pelo corredor, depois do lanche servido, homens, mulheres e crianças de bermudas, calças jeans, camisetas, tops, tênis e até havaianas. Não só circulavam pelo avião, dando-me a impressão de que faziam a aeronave trepidar, como deixavam pelo chão copos descartáveis e guardanapos de papel, que ao chegarmos a Salvador sentíamo-nos como num final de feira.




No aeroporto, GOs nos aguardavam com bandeirolas com nosso nome e a indicação do veículo para seguir até a balsa. A balsa. Aí a coisa ficou cômica, para não dizer trágica. Éramos um pequeno grupo, nós os únicos brasileiros mais alguns franceses e americanos muito brancos, que se protegiam do sol escaldante do meio dia. Também eu, era confundida com eles e a eles me reunia na busca de uma sombra, vestida com estava.



Naquela imensa balsa, lotada de nativos em busca do sonhado final de semana na ilha - era sábado - nosso grupo de branquelos vestidos inadequadamente destacava-se em meio à multidão de corpos negros, sarados, com sungas, biquínis e fio dental. Eles viajavam em alegres grupos, batucando, tocando berimbaus, cantando e dançando e é claro, de vez em quando davam uma olhadinha matreira para o nosso lado, imaginando, sabe-se lá, de qual planeta teriam saído aqueles ETs.



Foi muito bom conhecer a Bahia, visitar Salvador, o Pelourinho, as belas praias e especialmente a Ilha de Itaparica com o magnífico clube da rede Mediterranée e seus GOs, sempre atentos e prestativos, empenhados em nos fazer felizes naquele cenário paradisíaco, mas voltei daquelas férias me perguntando de onde havia tirado a idéia, de que nos dias atuais, haveria glamour num vôo econômico que cruza os céus deste “patropi”.