sábado, 27 de fevereiro de 2016

Um gambá na minha vida




Chego em casa depois do almoço e ao levar o lixo para o quintal vejo, dentro da vasilha, um peludinho. Dormia tão profundamente que fui em busca da câmera, voltei e ele nem se mexeu. Achei que estivesse morto.

Virei a vasilha e nada. Virei mais e ele levantou a cabecinha e esticou a longa cauda. Um filhote crescidinho de gambá. Já havia sido visto por aqui, inclusive outro exemplar adulto que passeia nos muros e telhados. Mas tão perto, foi mágico.



Fotografei e ele sonolento tentava entender o que era aquilo interrompendo seu sono diurno. Sim, como é um animal de hábitos noturnos, devia estar muito cansado e confuso com a luz do flash.




Deitei a vasilha, ele fez um farto xixi, saiu observando o local cautelosamente e correu para o meio das plantas, sempre me olhando. 


Confesso que tive a tentação de adotá-lo, é muito fofinho, mas depois da experiência com o casulo, atendi ao bom senso e deixei que se fosse.



Realmente sou uma privilegiada

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Culinária ou prestidigitação?

Então, um belo dia, a chuva e o vento derrubam aquele mamoeiro que eu tanto amava.  Logo agora que despontavam cinco lindos mamõezinhos. 

À arvore caída devo dar o devido fim. Sem grandes pompas, num saco de lixo mesmo, procedo ao funeral.

Do chão, os cinco órfãos me olham, olham... Começo a lembrar da minha avó, do meu pai... Pensando bem, não vou desperdiçá-los! Farei doce de mamão verde. Eles gostavam tanto...

Lavo, higienizo, ralo, ralo, ralo, até não sentir mais as mãos. Agora é só deixar em água corrente para tirar o amargo.  Afinal, com essa crise hídrica, o que são uns mil litros de água? É preciso saber preparar o mamão para tirar esse amarguinho danado.  Ah, precisa também coar e espremer num pano, à moda antiga.

Tudo posto, faço a calda: açúcar, cravo e canela em pau. Cheira na casa inteira. Coloco dentro o mamão ralado, cozinho bem em fogo brando. Eis finalmente o doce pronto.



Reflexões culinárias


Doce de mamão é a mais cruel constatação da escravidão e submissão da mulher aos maus tratos do trabalho doméstico desnecessário para agradar a família. O efeito é meramente psicológico. Se você misturar água, açúcar, cravo, canela em pau e ferver, terá exatamente o mesmo sabor. Mamão verde lavado à exaustão não tem gosto nenhum, é mera palha que absorve a calda. Mas fala a verdade: é muito bom! 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Dizer adeus é preciso




Dizer adeus não é fácil, mas chega um momento em que é preciso. É preciso dizer adeus, aprender a por pontos finais, fechar capítulos, encerrar etapas da vida… Mas para isso, é preciso ter coragem e convicção, porque dizer adeus é se desapegar.

E como a vida é uma sucessão de perdas, saber se desapegar é essencial para o bom viver, ainda mais quando aqueles de quem a gente se desapega estarão muito melhor do que estiveram até então conosco.

Depois de 15 anos, Odete e Roberto Carlos – na verdade dois Robertos Carlos, irão morar na casa de grandes amigos, pessoas sensacionais:  Danieli, Vagner e filhos, a quem serei eternamente grata, onde, com certeza, acharão suas metades da laranja e serão felizes para sempre.

Obrigada lindinhas pela companhia que me fizeram e, embora não falassem, prestavam muita atenção em mim.

sábado, 20 de junho de 2015

Fernando de Noronha, um lugar para quem sabe o que quer



Aposentada, vivo para curtir a família, me alimentar bem e de forma saudável, participar das atividades na paróquia e viajar.  Sempre gostei de passeios ecológicos, viagens para apreciar a natureza, especialmente em lugares próximos ao mar. Ah! O mar! Minha grande paixão. 


É claro que Fernando de Noronha fazia parte dos meus sonhos, mas me parecia tão distante, que ficou guardado num cantinho escondido do coração até que meu amigo Marco abriu a portinhola. Aí não teve quem nem o quê segurasse.

Como ia para Natal, estava a meio caminho.  Comprei as passagens e a estadia numa pousada pela internet. Um grande passo para alguém como eu, que nunca se lançou a aventuras sozinha e ainda mais em lugar totalmente desconhecido.  Pesquisei sobre a ilha, natureza, passeios.  A cada dia que passava a ansiedade crescia. 

Finalmente chegou a hora e, no aeroporto sou apresentada à aeronave que me levaria às alturas: um avião bimotor. Não era o que eu esperava. Agora era rezar pra que aquelas hélices enormes funcionassem.





Na chegada, a visão do Morro do Pico parecia fazer parte do aeroporto, mas como descobri depois, sendo a ilha pequena e o morro seu ponto mais alto, parecia fazer parte de qualquer lugar em que a gente estivesse. Lindo!



Os habitantes locais, simples e atenciosos sem rapapés, me faziam sentir como se estivesse em casa e, sendo a ilha totalmente segura, sentia-me livre para ir e vir sem temores.

Fiquei por lá seis dias. Dias maravilhosos repletos de surpresas e emoções nunca antes sentidas. Fiz passeios em grupo, tomei banho em piscinas naturais compartilhadas com peixes coloridos, caminhei pelas trilhas da ilha, completamente só, feliz, meditando a grandeza da Criação. Viajei no tempo, fotografando entre as ruínas de fortes do tempo da colonização. Senti o peso do cárcere, atrás das grossas e úmidas paredes de pedra das prisões, orei numa igreja seiscentista.

















Muito além do que esperava, as coisas iam acontecendo e entre tantas surpresas, a oportunidade de participar da abertura de um ninho de tartaruga marinha, ver mais de cem filhotes correrem para o mar tendo como cenário um por de sol indescritível e poder gritar com as crianças da escola que ali estavam, para espantar as fragatas que buscavam seu jantar.






Noronha não é um lugar para turismo tradicional. Noronha é um mundo à parte, um estado de espírito, para ser sentido, absorvido, amado, na simplicidade do que resta de sua pureza intocada. 




domingo, 14 de junho de 2015

Parabéns Cacau!

Qual é o homem dentre vós que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai à procura da que se tinha perdido, até a encontrar? (Lucas 15, 4)



Por volta de 2005/2006 conheci o Cacau – José Carlos. Bêbado, vivia na calçada da igreja que frequento, num estado de degradação, fácil de imaginar, visto não sair do lugar para nada, fizesse chuva ou sol.  Não incomodava ninguém. Às vezes pedia um café, uma ajuda para o almoço ou algo que precisasse, mas que não durava, visto seu total descontrole.

Por sua boa índole, chamava a atenção e os Vicentinos da paróquia se propuseram a ajuda-lo como é de seu hábito. Tentaram a primeira internação que em nada resultou. Ele voltou à rua. Mas, como ele mesmo diz, “que tudo pode n´Aquele lá de cima”, percebeu que a vida na rua estava insustentável , pois conhecera coisa melhor. Procurou um dos vicentinos e pediu uma segunda chance. Sumiu da rua, ficou internado por muito tempo. Quando voltou, era outra pessoa.

Apareceu na igreja, onde aos domingos ainda olha os carros e procurava cada pessoa com quem tivera contato no passado, cumprimentava com carinho, mostrava-se curado, agradecia a Deus e a cada um que contribuíra para isso.

Cada fim de semana, ao ver-nos, alegremente vinha dizendo: “tenho mais uma boa notícia para você: estou trabalhando registrado”, ou “comecei a estudar, estou no supletivo”´, “conheci uma moça e estou noivo, olha a aliança”.

No último mês de abril, me abordou na entrada da igreja para mais uma boa notícia, convidar para seu casamento no dia 16 de maio. Senti-me honrada e expliquei que estava de passagem comprada para uma viagem. Dei-lhe meu presente e rezei por ele.

Hoje, ao ver-me veio correndo com o álbum do casamento nas mãos, que mostrava para todos os amigos, como ele diz. Perguntei se podia copiar uma foto, ele escolheu as que eu “deveria” copiar e publicar, pois era mais um testemunho do poder de Deus na vida dele. Abracei-o e agora faço o que ele me pediu, transmito o seu testemunho.

Será que preciso dizer que estar a serviço do Senhor na pessoa do irmão, é maravilhoso?

Obrigada queridos vicentinos!


Parabéns Cacau!



segunda-feira, 11 de maio de 2015

Natal, 11 de maio de 2015


Há exatos 30 dias do meu aniversário de 70 anos, estou em Natal - RN, passando uns dias com meu neto Cláudio, que se formou no ensino técnico. Curto sua companhia, da esposa Taís, uma graça de pessoa e acompanho de perto seu dia a dia, sua luta rumo à conquista de suas metas, muito bem definidas, o que me enche o coração de alegria.

Daqui, sigo para Fernando de Noronha, para uma breve estadia, presente de aniversário que me dei. Confesso que estou ansiosa e cheia de dúvidas, pois pela primeira vez assumo um passeio por completo, sem a intermediação de agência. Vou por mim mesma, como se diz. Ansiosa mas não temerosa, como seria há alguns anos. Escolhi  esse período pois foi quando consegui bons preços de passagem e estadia.

De lá volto a Natal para então curtir com muita calma, a companhia do Walter, meu filho da esposa Káthia, do pequeno Tê, o caçula daqui, não tão pequeno assim, já com seus catorze anos, um mocinho. Também estarei com a Camila, minha neta, seu esposo Rômulo e o pequeno - este pequeno mesmo - Artur Miguel, meu único e lindo bisneto, agora já com dois anos de idade.

Em razão da distância, pouco  nos vemos, mas muito nos amamos e espero que esses encontros sejam momentos para matar saudades, saber das novidades, relembrar coisas boas, ajustar meus rumos e voltar com a alma renovada.