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domingo, 22 de março de 2020

PERU - Compilado de Viagem XIV - Machu Picchu finalmente!

19 de junho de 2016 - É chegado o momento que deveria ser o ápice desta viagem, seu motivo principal e único, meu presente de aniversário: ir a Machu Picchu. Mas agora que o sonho se torna realidade, fica difícil afirmar com certeza, quando e onde foi o ápice desta aventura. Acho que estes transcorridos 9 dias foram ao todo e cada um em si ápice, presente, aventura. E ainda terei mais um dia.

Quando finalmente fechei este pacote para o Mundo Inca, trazia expectativas, emoções, ansiedade, temores. Hoje, depois de escalar todos os degraus da Cidade Sagrada tenho a certeza de que tudo, absolutamente tudo, superou em muito minhas expectativas e me surpreendeu sobremaneira.

Às 6h, com a temperatura em 2ºC, embarcamos em Cuzco,  no trem panorâmico que nos levou a Águas Calientes. Apesar da agitação que nos dominava, acomodamo-nos confortavelmente, quatro em cada mesa, forrada com toalhas de tapeçaria regional e desfrutamos de um café da manhã peruano. Havia também physalis, dispostos em um palito de churrasco, mas fiquei tão encantada que os devorei antes da foto.





Acompanhando o curso do Rio Urubamba, pelo Vale Sagrado, através das amplas janelas laterais e superiores do trem, nosso olhar absorvia deslumbrado, os cenários que se alternavam pelo caminho. Vilarejos, plantações, os Andes, ah, os Andes! Variando de cor de acordo com o tipo de rocha, ou exibindo seus cumes nevados e me fazendo cada vez mais, me planejar para tocar a neve. Mas isso é outra história.



























À medida que avançávamos em direção ao sul, a paisagem muda rapidamente e, de repente, não eram rochas, ou aridez que se via, mas sim, a exuberância da mata, com o verde que se tornava cada vez mais denso. Estávamos na Amazônia peruana - Águas Calientes, onde rapidamente seguimos a guia para embarcar no ônibus que nos levaria à base de Machu Picchu. Ônibus esse, pequeno, como nossos alternativos por aqui. E velho, muito velho.






A estrada de terra que conduz à Cidade Sagrada é estreita, ladeada por precipicios de um lado, em todos os 400m de subida em que contorna a montanha. A passagem de veículos em sentidos opostos só é possível em determinados pontos do caminho. Ao entrarmos no parque, vendo o Rio Urubamba como um filete d`água lá embaixo, cheguei a perguntar a mim mesma, o que é que eu estava fazendo ali?.




Há 2.430 m de altitude e 30ºC de temperatura, carregando a mochila com toda a roupa tirada pelo caminho,  subir os infindáveis e irregulares degraus que levam ao ponto ideal para observar toda a área de Machu Picchu, não é uma tarefa fácil. Mas devagar, em silêncio e boa respiração até eu cheguei lá. E então, sentei no chão e pedi à guia: " faça uma foto, pois ninguém vai acreditar".




E com fotos, muitas fotos, encerro este dia. Palavras são inúteis nestas ocasiões.


















* Em todo solo sagrado no Peru os degraus são irregulares para que as pessoas olhem para o chão e não para os deuses.

* As construções se diferenciam conforme a finalidade : de uso humano com pedras irregulares e rústicas, dedicado ao divino com pedras de formas definidas e sempre polidas.


terça-feira, 21 de junho de 2016

PERU – Compilado de Viagem I - Preâmbulo

Compilar: Ação de reunir ou coligir;  ato de juntar textos, registros, impressões  ou leis acerca de um determinado tema.




Não me lembro desde quando, mas há muito tempo desejava conhecer Machu Piccho.  Fosse pelo mistério que envolve aquele lugar sagrado descoberto há exatamente 100 anos, fosse pela aventura de ir  de trem  passando pela Cordilheira dos Andes, não sei. Apenas sei que, dentro de mim, realizar esse sonho tem sido uma constante creio, há quase meio século.

Quando pensava na possibilidade de fazê-lo, me vinha à mente o frio, a neve, a cultura regional diferente; a possibilidade de estar em um lugar sagrado para a cultura inca, que sempre me impressionou desde as aulas de história do ginasial e, me imaginava em estado e graça.

Bem, o frio não foi tanto, a neve inatingível numa ou outra montanha, linda, mas a quilômetros de distância; a cultura, as tradições, essas sim me surpreenderam e a visita ao Vale Sagrado e a Machu Picchu, além de outros sítios,  excederam as expectativas.

Também, quando pensava em realizar essa aventura, sentia que haveria muito a ser visto e compartilhado em um país  misterioso como o Peru e, as opções de viajem que se me apresentavam não me convenciam, até que, ao passar por uma agência de turismo, vi o anúncio: “Mundo Inca – 10 noites”. Interessou-me.

Na agência, Caio um jovem agente gentil e perspicaz, apresentou-me o roteiro organizando de forma que pudesse aproveitar o máximo em pouco tempo, calculou os custos e propôs formas de pagamento compatíveis e, confirmou a data de início da viagem: 10 de junho. Bem, aí não tive dúvidas de que era chegada a hora da realização do meu antigo sonho - 10 de junho, dia do meu aniversário!  Fechado!

No caminho para casa meu coração batia mais forte. Alegria, ansiedade, dúvidas. Teria feito a coisa certa? Com setenta e um anos a completar no dia da partida, não teria eu sido inconsequente ao me propor a fazer a primeira viagem internacional, sem a certeza de dominar o castelhano, correndo o risco de sofrer vicissitudes próprias da idade  só e longe de casa? Mas estava feito e agora restava cuidar dos preparativos. 

Nota: Antes que se perca na névoa do tempo.