Aconteceu em julho de 2017, mas é sempre atual.
Recebo uma ligação no celular e o interlocutor, que informa ser da VIVO, comunica que acabo de ser contemplada pela “Recarga Premiada VIVO”: ganhei 2 celulares de última geração e 10 mil reais. Todo animado me pergunta se estou surpresa e como estou me sentindo com tamanha sorte.
Depois de me passar seu nome, cargo – gerente regional da VIVO para São Paulo - número de protocolo, número de meu cadastro, informa sobre os órgãos reguladores da promoção: FEBRABAN, ANATEL, EMBRATEL, PROCON, DECOM, mais os bancos parceiros: BB, CEF, Santander, Itaú, Bradesco.
Então informa o regulamento: devo ter conta em pelo menos um dos bancos patrocinadores
da promoção e não estar inadimplente. Perfeito. Preencho os
quesitos.
Agora ele quer saber quanto tempo levarei para chegar à agência mais próxima e que tipo de transporte usarei.
Tudo informado – calma! Leia até o final - devo me dirigir com o celular ligado até o caixa eletrônico da agência bancária e tirar um simples extrato para confirmar minha conta, data e hora, para fazer jus ao recebimento dos prêmios, via banco escolhido. Ainda pergunta se quero a presença da imprensa e ser filmada para a TV ou prefiro receber de forma discreta. Optei pela última e fui muito elogiada, pois “hoje em dia, neste mundo de insegurança em que vivemos, não se pode mesmo confiar em ninguém. Melhor ser discreta então contar para ninguém”.
A essa altura estava gravando a conversa e ligando do fixo para o 190 e
me achando uma agente do FBI. Celular no viva voz, gravador ao lado
chiando, telefone fixo na orelha a certa distância, explico à atendente, em voz
baixa, a ocorrência em curso e pergunto o que devo fazer. Ela, um gênio, diz
toda cheia de sabedoria:” é um trote de cadeia, desliga o celular”.
Decepção total. Já me via indo ao banco, com esquema montado pela inteligência da polícia, homens fardados à espreita em todas as esquinas, a SWAT a postos com seus atiradores de elite, o bandido que me fazia refém tomando um tiro no meio da testa e a Rede Globo gravando tudo para o Jornal Nacional. Melhor parar de assistir CSI.