
Por conta do artigo “A história do piso de caquinhos das casas paulistas”, de autoria do Engenheiro Civil Manoel Henrique Campos Botelho, compartilhado no facebook pelo amigo Bilé Petroni, me emocionei e saí fotografando por aqui.
Nossa casa foi construída nos anos 48/49, pelo meu avô Luiz Walder, que em seu tempo tinha como profissão “construtor”, isto é, um pedreiro que além de levantar paredes e cobrir, acompanhava a obra na ausência do engenheiro e fazia de tudo na construção, até aqueles relevos artísticos nas fachadas. Nesta construção em particular, meu pai que não é do ramo, trabalhou com ele. Casa simples, que enfrentou várias enchentes e está firme.
Escrevo com o olhar do coração. Para a maioria ela será apenas uma casa velha, fora de moda, cujo valor se resume ao do metro quadrado do terreno. Para mim, é repleta de detalhes significativos, onde percebo o capricho dos que a fizeram.
O forro e o assoalho, planejados pelo meu avô e colocados por meu pai revelam arte e precisão. A escada feita manualmente pelo meu avô, de peroba, resiste aos cupins e me remete àquelas fotos da casa de Monet. As portas e fechaduras, ainda são originais, inclusive porta dupla, no quarto que dá para o corredor, o que facilita a movimentação dos móveis.
Temos uma saleta cujo piso é de cerâmica sextavada vermelha com bordas de caquinho, arte do meu avô. Já reformamos os banheiros, trocamos o piso de baixo, mas não tive coragem de mexer nesse piso.
Como disse no início, todo esse blá, blá, blá e as fotos que o ilustram aconteceram por causa do piso de caquinhos, mas foi muito bom revisitar cada um desses cantinhos, mergulhar no tempo e trazer à tona outras memórias. Aguardem-me.