No quintal da casa da minha avó Deolinda tinha um pé de cidra. Para os mais novos explico: o que chamamos de cidra (não sidra) é um tipo de limão verde escuro, que não serve para nada a não ser para fazer doces e compotas com a casca. E dá um trabalho! Mas minha avó fazia, para delícia dos filhos e netos.
Primeiro retira-se o bagaço da fruta, quer dizer, a parte que tem os gomos. Corta-se a casca com a polpa agregada e coloca-se de molho em água fria, que deve ser trocada diariamente, por uma semana aproximadamente, até a fruta perder o amargo. Daí, podemos fazer a cidra em calda, cristalizada ou a compota com ela ralada. O doce de cidra que compramos era em formato de bolinhas, quer dizer, foi feita a compota bem apurada, até açucarar, enrolaram os docinhos e deixaram secar – os antigos secavam ao sol. O modus operandi é o mesmo para doce de abóbora, batata doce, cocada...