terça-feira, 19 de julho de 2011

Moema dos “Indios” e “Pássaros”

Tinha uma amiga que esperava a compra de um apartamento na Moema dos pássaros para se casar. Já não era nova, a compra não acontecia, mas tinha que ser lá e quando finalmente aconteceu o sonhado AP e se casaram, o esposo adoeceu e logo faleceu...

Moema de pássaros ou índios ou Indianópolis? Onde começa um e termina outro? Enquanto vivi por lá e depois quando convivi com os que ficaram era INDIANÓPOLIS.






Minha avó Conceição, que na certidão de casamento é Assunpcion morou na Vila Indiana, na casa do tio João, e cuja parada do bonde chamava-se Vila Helena, depois se casou em segundas núpcias e foi para a Canário.


Antes, quando os filhos ainda eram jovens, a família morou na Pavão e na Aicás (Haikas como se lê na carteira profissional de 1939, do meu avô João).


Os avós do lado paterno, Luiz e Deolinda, viram seus filhos piracicabanos, meu pai a tia Léia (na foto de 1926 - Jardim da Luz) e Luiz que nasceu aqui, crescerem e casarem também morando em Moema, primeiramente na Rua Nhambu e depois na Arapanés quase esquina com a Macuco.

Minha madrinha Izabel Almeida Borba, que também morou com a família na Vila Indiana, foi para a Jacutinga, na sonhada casa própria que adquiriu com o dinheiro que ganhou na loteria mais uma ajuda dos patrões, trabalhou no bar do genro, na Cotovia fazendo quitutes e terminou seus dias na Aicás.





Pássaros e índios fizeram parte de nossas vidas, numa Moema diferente, de ruas tranqüilas e passeios na praça da matriz, igreja Nossa Senhora Aparecida, onde em 6 de janeiro de 1946 fui batizada.

Impossível esquecer



Em 2007, minha cadela Ágatha lesionou os tendões de uma das pernas traseiras. Já era velhinha, tinha problemas cardíacos assim, não podia passar por outra cirurgia. Por indicação da veterinária da USP, deverámos fazê-la andar bastante duas vezes por dia, livre da coleira. Nunca fui adepta de vagar sem rumo pelas ruas com caninos encoleirados, isso é para mim, uma tortura. Mas se era para o bem da minha melhor amiga: seja feito.

Todos os dias, pela manhã e à tarde, lá íamos minha mãe, a fiel cã e eu vagar pelas ruas do bairro. Por aqui tudo é muito tranquilo e arborizado, fato que acrescentava algum sentido àquele passeio terapêutico. Minha mãe encontrava e encantava-se com as flores, sempre presentes nos jardins, árvores e beiras das calçadas e assim, como abelhas de flor em flor lá íamos nós atrás da cadela enferma.

Essas foram as últimas andanças da minha mãe e da Ágatha. Aos poucos minha mãe foi apresentando cada vez mais dificuldade de locomoção e logo só nos acompanhava nos passeios de carro e a locais em que não necessitasse caminhar mais que poucos metros. Ao mesmo tempo a Ágatha, obesa e cardíaca não aguentava fazer à pé o trajeto de casa ao pet shop para o banho, pouco mais de três quadras. Esta, descansou em fevereiro de 2009 e aquela no mesmo mês em 2011.

Escrevo isso agora, porque revirando minha caixa de fotos encontrei a que ilustra esta página e claro, as lembranças do tempo em que ela foi batita, afloraram. Esse é Quartzo. Nós o conhecemos naquelas andanças. Morava numa linda casa cheia de orquídeas no jardim, na Rua Barão de Jaceguai e, toda manhã ganhava um pãozinho do vigia da rua e o acompanha com ele na boca, enquanto varria as calçadas até às nove horas. Ninguém sabe como, sempre nesse horário ele parava e comia o pão.

Parávamos, falávamos com ele, ele cheirava a Ágatha, abanava a cauda mas nunca largava o pão.

Quartzo também já se foi, mas nunca vou esquecer o olhar carinhoso que nos dirigia apertando entre as mandíbulas aquela iguaria toda babada.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Fábula do Porco-espinho


Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.

Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor .

Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de novo a morrer congelados.

Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.

Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.

Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro .

E assim sobreviveram.

Moral da História

O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro e admirar suas qualidades .

domingo, 19 de junho de 2011

Generosidade natural


É bom acordar, abrir a janela, ser abençoada com uma linda manhã ensolarada e de repente reparar na penca da mini orquídea que já deve estar ali há alguns dias, pacientemente esperando ser notada. Desculpe a minha falta de atenção, ando muito ocupada e toda dolorida.

domingo, 12 de junho de 2011

DOIS TOCOS DE VELA - Padre Zezinho


Pessoas idosas, mas cheias de luz, me encantam. Brinco, ao dizer que parecem tocos de velas grossas! Uma vez, mostrei a um casal com 60 anos de amor, um círio pascal que ardia num canto de sua casa e tinha apenas dez centímetros de cera.

-Vocês são assim, disse eu!

-Somos tocos de vela?-, riu ela, enquanto me segurava a mão.

-São, vó. Vocês foram envelhecendo graciosamente, perdendo sua cera, derretendo-se de amor pela família, mas ainda têm cera para derreter e pavio para queimar por muito tempo. A luz continua a mesma. Perderam a mocidade, mas não perderam o brilho!

-Que sabedoria!- exclamou ela. E deu-me um beijo, no que foi secundada por ele.

-Ai meus 30 anos! – brincou o velho Zezo.

O que eu disse àqueles anciãos de 77 e 80 anos, tenho repetido a muitos outros, porque lembram círios pascais. São tão doces, que põem em risco a saúde de qualquer diabético; tão iluminados, que não se percebe que estão diminuindo pela idade. O físico lhes prega peças, a memória às vezes falha, mas não a ternura e a sabedoria dos anos e de um amor dialogado.

Vô e vó, em certos lares são como tocos de vela grossa, que arderam a vida inteira. Sopraram ventos de fora, e de dentro mas a chama não apagou. Tinham como protegê-la. Houve bruxoleios e titubeios e uns pequenos qüiproquós, mas tudo foi resolvido antes que virasse tempestade. Aquelas mãos que se tocavam foram alisando também as dificuldades. Tinham porque viver e por quem viver. Quando vieram os filhos e netos, tinham ainda mais razão para viver. Outra gente bonita e até perigosamente insinuante ficou de fora daquele casamento, porque, por mais lindos que fossem aqueles olhos e aqueles corpos, em casa havia alguém que valia mais a pena. Era amor de cepa e de raiz. Não foi só obediência a Deus e à Igreja. Foi carinho mesmo!

Hoje, quando “por qualquer de repente” e qualquer “dá cá aquela palha”, lá estão eles emburrados e ameaçando terminar a relação - e os filhos, que se adaptem... - esses dois tocos de vela são um lembrete permanente aos que acham que a vida a dois só vale quando um satisfaz o outro. Esquecem que existe algo ainda mais importante, que é quando um se satisfaz com o outro, mesmo que este outro não consiga satisfazê-lo em tudo.

Crianças não nos satisfazem em tudo, mas, porque nos satisfazemos em tê-las ao redor, tudo acaba dando certo. Quando Jesus disse que deveríamos aprender com as crianças, estava falando disso (Mt 18,3).

Casais felizes não são os que conseguem tudo um do outro e, sim, os que amam o suficiente para dizerem que o que conseguem já é o bastante para uma vida inteira. De vez em quando, vale a pena refletir sobre as luzes que temos em casa! Têm mais volts e watts do que imaginamos! Padre Zezinho (19/08/2007)

Círculos ou ciclos?

Minha mãe nasceu na cidade de Itápolis, numa fazenda de café. Seus pais, Juan e Assunpcion eram imigrantes espanhóis chegados no começo do século. Aos seis anos, após um infarto do meu avô, a família veio para São Paulo, onde já estavam meus bisavós. De Itápolis diretamente para a Avenida Macuco 16, em Moema e, em seguida, para a Chácara dos Eucaliptos, próximo à Estrada de Santo Amaro, onde meu avô deveria ser o responsável pelos lenhadores. Claro que não deu certo, não era talhado para mandar, mas assim mesmo ficaram morando na propriedade.


Aos poucos a família assimilava a nova situação e se integrava na rotina do dia a dia da “cidade grande”. Muito ouvi sobre vizinhas sentadas debaixo de árvores e crianças brincando nos espaços comuns; verdureiros e peixeiros oferecendo seus produtos. Aulas de catecismo na Sagrado Coração, no Brooklin e intermináveis rezas na igreja Nossa Senhora Aparecida de Moema, sempre em companhia das amiguinhas.

Estas lembranças assomaram no dia 29 de maio último, quando fotografei – com uma Yashica de filme de celulóide - a solenidade da Coroação de Nossa Senhora, no encerramento do mês de Maria. Vendo as crianças vestidas de anjo, compenetradas carregando a coroa da Virgem e cestas com pétalas de rosa, senti minha mãe muito próxima, pois uma das poucas coisas que não esqueceu até os últimos dias, foi de quando ela também, se vestia de anjo para essa solenidade e o mais interessante: nesta mesma igreja, ainda capela, quando nem era paróquia.

O mundo dá muitas voltas e para mim, parece que sempre volto ao mesmo lugar. Estarei girando em círculos ou vivendo ciclos que se completam?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

SER CHIQUE SEMPRE - GLÓRIA KALIL

Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje.

A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas. Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano.

O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida. Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.

Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.

Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta. É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.

Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador. É lembrar-se do aniversário dos amigos.

Chique mesmo é não se exceder jamais! Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.

Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor. É "desligar o radar", "o telefone", quando estiver sentado à mesa do restaurante, prestar verdadeira atenção a sua companhia.

Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.

Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!

Chique do chique é não se iludir com "trocentas" plásticas do físico... quando se pretende corrigir o caráter: não há plástica que salve grosseria, incompetência, mentira, fraude, agressão, intolerância, ateísmo...falsidade.

Mas, para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos terminar da mesma maneira, mortos sem levar nada material deste mundo.

Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qua lquer coisa que não lhe faça bem, que não seja correta.

Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour!

Porque, no final das contas, chique mesmo é Crer em Deus!

Investir em conhecimento pode nos tornar sábios... mas, Amor e Fé nos tornam humanos!