sábado, 12 de janeiro de 2013

Padrinhos - Pessoas especiais...

No dia 6 de janeiro – Epifania do Senhor – celebro meu aniversário de Batismo, realizado na Igreja N S Aparecida de Moema, SP. A efeméride me levou a resgatar o que já escrevi sobre meus padrinhos, em parte sabido pela minha mãe e muito composto de lembranças próprias.

Minha madrinha era uma gaúcha, filha de escrava com português. Era mulata, alta, talvez da minha altura, cabelos levemente crespos. Quando jovem, sofreu muito com as insanidades da mãe, que bebia e tinha distúrbios mentais, a ponto de despejar o urinol sobre a cabeça de seresteiros que em noites enluaradas faziam serestas à sua janela, matando-a de vergonha.

Veio para São Paulo e casou-se com um belo jovem louro de olhos azuis. Tiveram cinco filhos, todos tão diferentes um do outro, devido à miscigenação, que sequer pareciam parentes. O primeiro Roberto, não conheci, morreu antes do meu nascimento, era negro, como seu ídolo no futebol: o Baltazar e esse era seu apelido no time da turma da criançada da Vila Indiana. Arrancou um dente, jogou futebol escondido da mãe – que estava no trabalho – a tarde toda, debaixo de um sol escaldante. Teve febre alta e foi constatado meningite. Quando o antibiótico chegou ao aeroporto de Congonhas ele já estava sendo velado.

O segundo, Antonio, moreno, participava de campanhas políticas e acabou sendo agraciado com o cargo de fiscal de feira na eleição em que seu candidato saiu vitorioso. O outro, João, louro sarará de olhos azuis, era, com a mãe, padrinho da minha irmã Jussara. Depois vinha a Cida, única filha mulher, morena e linda e por fim o Getúlio, que tinha esse nome em homenagem ao então “Pai dos Pobres”, que minha madrinha venerava, tanto que sempre manteve um retrato do ditador/presidente, num quadro, na parede da sala.

Foi quando amamentava esse menino, no início da década de 40, que estreitou seus laços de amizade com minha mãe, cuja família já conhecia do bairro de Indianópolis. Nessa época, dona Izabel, assim se chamava minha madrinha, era ama de leite de um menino filho de uma família judia do bairro. Chegou até eles por indicação do Dr. Maurício, pediatra da Cruz Vermelha, ali na atual Avenida Ruben Berta.

Contava ela, que ao apresentar-se à mãe do garoto, prematuro, que se não se alimentasse de leite materno morreria, a mãe começou a chorar compulsivamente. Ela não entendeu nada, mas, mais tarde, soube através da própria mãe, que naquele momento temera que seu filho sendo amamentado por uma negra, se tornasse negro também e na manhã seguinte foi ao consultório do pediatra para tirar essa dúvida, fazendo-o rir muito. Tornaram-se amigas e minha madrinha sempre contou com a ajuda daquela família.

Como a patroa precisava de alguém para fazer-lhe companhia e ajudar com os cuidados do frágil bebê,  dona Izabel indicou minha mãe para a tarefa, que lá ficou até 1943 quando a família se mudou para a Brigadeiro Luiz Antonio e ela, estando para se casar, não acompanhou.

Dona Izabel e minha mãe permaneceram grandes amigas. Ela foi testemunha do casamento civil de minha mãe e quando nasci foi a escolhida para madrinha de batismo. Foi também madrinha de batismo da Jussara, minha irmã mais nova e de Crisma da Sid, a do meio, pois como concordavam as duas comadres, ela deveria ser madrinha de todas nós, tão grande era a amizade e consideração entre elas.

Enquanto viveu, sempre nos visitou atenta ao nosso desenvolvimento, presenteando-nos nos natais e aniversários, alegrando-se com nossas alegrias e solidarizando-se com nossas dificuldades. Foi ela também, junto com minha madrinha de Crisma, testemunha de meu casamento civil.

 Lembro-me que todas as vezes que vinha em nossa casa, trazia um delicioso bolo de fubá com erva-doce e canela com açúcar por cima. Jamais experimentei um bolo de fubá tão bom como aquele. Embora tivesse apenas um rim, tomava caipirinha e cerveja, quando saía com as amigas. Curtir as amigas, sair a passeio ou às compras com elas, sempre se constituiu para ela motivo de grande prazer.

Meu padrinho faleceu quando eu tinha 4 anos, vítima de um infarto. Apenas me lembro dele abaixado, segurando minhas mãos, com o rosto bem próximo ao meu e aqueles lindos olhos azuis olhando os meus e dizendo que crianças têm o hálito dos anjos. Depois me mandava recitar a “Batatinha quando nasce”, que eu sabia de cor desde meu primeiro ano de vida e sorria satisfeito.

No dia de seu velório, realizado em casa, lembro de que as mulheres mais velhas não queriam deixar minha mãe, grávida, e eu por ser criança, vê-lo morto, mas como em nossa família nunca houve esse tabu, minha mãe levou-me para vê-lo pela última vez, mas não me lembro do que vi.

Depois disso, a vida de minha madrinha virou uma verdadeira batalha para criar os quatro filhos. Lavava, passava, fazia faxina, fazia crochê para vender e salgados para bares e restaurantes. Conseguiu fazer deles, pessoas de bem, honestas e trabalhadoras, que a apoiaram na velhice.

Quando idosa, vestia-se bem, sempre com roupas de cores alegres. Usava baton bem clarinho, pó de arroz Cashemere Bouquet e mantinha os cabelos, que eram bem curtos e completamente brancos, sempre com um tom azulado ou lilás, que realçava sua cor e dava-lhe um ar de distinção. Tinha bom gosto ao escolher suas águas de cheiro o que fazia com que fosse muito agradável abraçá-la.

Tinha escolhido e bem cuidado no guarda-roupa, o vestido longo com que deveria ser enterrada e um pedido à família: que não faltassem orquídeas em seu velório.

Pouco antes de ver o neto que ajudou a criar formar-se médico, faleceu devido a um câncer no estômago.

Ela vive em nossos corações, seja pelo tecido com que nos presenteou em determinado Natal e assim tivemos vestidos novos, seja pelo sagu de abacaxi que fazia e era a única coisa que minha mãe não gostava, ou pelo café, que gostava de tomar tirado diretamente do coador, fumegante... ou aquela toalha de crochê, que ainda resiste ao tempo... tantas pequenas coisas, que é difícil que se passe um dia sem que nos lembremos dela.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Feliz Ano Novo!!


Dentro de alguns dias, um Ano Novo vai chegar a esta estação. Se não puder ser o maquinista, seja o seu mais divertido passageiro. Procure um lugar próximo à janela e desfrute cada uma das paisagens que o tempo lhe oferecer, com o prazer de quem realiza a primeira viagem.

Não se assuste com os abismos, nem com as curvas que não lhe deixam ver os caminhos que estão por vir.

Procure curtir a viagem da vida, observando cada arbusto, cada riacho, beirais de estrada e tons mutantes de paisagem. Desdobre o mapa e planeje roteiros. Preste atenção em cada ponto de parada, e fique atento ao apito da partida. E quando decidir descer na estação onde a esperança lhe acenou não hesite. Desembarque nela os seus sonhos...


 Desejo que a sua viagem pelos dias do próximo ano, seja de PRIMEIRA CLASSE. Lembre-se, para que você tenha um ótimo Ano Novo, você não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar pelas besteiras que fez e falou durante o ano que está se findando. Nem acreditar que por decreto da esperança a partir de janeiro, as coisas mudem e tudo seja claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, a começar pelo maravilhoso direito de viver.


Mas que para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você tem de merecê-lo, tem que fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, faça com que seu 2013 seja diferente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre. Que o seu 2013 seja, 2013 vezes melhor do que 2012.
                                                                                                                             (Desconheço o autor)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Música sob a minha janela

Outra lembrança marcante de natais de um passado mais recente transporta-me a 1984, quando decididos a retornar a capital por força do trabalho, iniciamos a busca por um imóvel onde coubesse a família e que coubesse no orçamento familiar. Uma combinação nem sempre fácil de alcançar. Mas para cá viemos, e dá-lhe busca!

Estávamos nesse afã, quando em certo sábado do mês de dezembro, depois de visitar alguns imóveis fomos parar em um restaurante na Alameda Santos esquina com Joaquim Eugenio de Lima. Ficava no térreo de um edifício residencial e oferecia boa comida por bom preço.

Almoçávamos meu marido e eu, quando o alegre som de uma banda vai crescendo e invadindo o ambiente. Quatro senhores idosos, com seus instrumentos reluzentes, dos quais me lembro do trombone, do pistão de vara e da marcação de um bumbo, passavam de mesa em mesa, entoavam tradicionais canções natalinas com animação e após os aplausos e alguns trocados lá se foram pela rua sumindo aos poucos junto com sua música.

Depois que nos mudamos, por muitos finais de ano os vi passarem pelas ruas do Paraíso e muitas vezes, fiquei debruçada na janela do apartamento, onde coube a família e que coube no orçamento familiar, apreciando aquele concerto singelo.

Já acostumados, paravam sob minha janela tocando até que lhes jogava uma “caixinha”. Tornaram-se para mim os anjos da anunciação da chegada da até então, mais esperada festa do ano.

Tempos depois, cuidava de meus pais já há algum tempo, portanto foi após 2004, passando pela região do Paraíso, deparei-me com um deles, mal conseguindo suportar o peso do instrumento, tirando acordes tristes como ele mesmo, cambaleando em meio ao corre das gentes, no anoitecer de sexta feira, molhada pelas lágrimas frias da natureza que por certo como eu chorava diante da melancólica figura do músico solitário.


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Chega dezembro e com ele boas lembranças


Na adolescência passei a participar mais assiduamente das festividades na Igreja do Sagrado Coração. Naquela época, o ciclo natalino era vivenciado intensamente e a liturgia da data muito bem elaborada.



Lembro-me dos ensaios onde jovens Marianos, Filhas de Maria, Legionários de Maria e Catequistas reuniam-se, para, sob a batuta do professor Ari, e orientação do vigário, Padre Ângelo Gianola, ensaiar o “Adeste Fideles” em latim além da tradicional Noite Feliz e do “Exultai ó filha de Sião”, ensinada pelo próprio vigário italiano, que às escondidas imitávamos: "Ecsulllltai ô filia de Sion o senhorrrr chegarrrá!”.

À meia noite do dia 24 de dezembro a Missa do Galo era solene. Toda a comunidade atuante presente. No altar, padres do PIME e convidados, acólitos, coroinhas e o senhor Emílio Toscani, príncipe italiano, já idoso, cuidando do cerimonial com austeridade.

A igreja lotada. Além das pessoas que sempre frequentavam as cerimônias, nessa noite ali se encontravam aquelas que só iam à igreja para as missas nas datas festivas, a maioria com roupas novas e perfumadas, cujo olor, misturado ao do incenso e ao ar da noite, produzia um aroma característico que com aquele, das castanhas cozinhando, emergem das minhas lembranças como “cheiros de Natal”.

E nada melhor do que caminhar rumo ao Natal com  este ADESTE FIDELES 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Do Artur para o Vô Velho


Ele era eterno, na verdade ele é, pois ninguém deixa de ser eterno.

Desde que me lembro ele estava lá, assim como a maioria, mas com ele era diferente. Era uma coisa meio pai, avô, tio a até irmão. Era Vô Velho... Quando penso nele as mesmas coisas tomam lugar na minha mente... o futebol com a bolinha de tênis de todo domingo, as histórias de trabalho, as infinitas perguntas de como vão os estudos, o que você vai fazer.

As últimas lembranças que tenho são as que mais definem ele. Nas últimas cinco vezes que o encontrei, a primeira pergunta foi a mesma, e aí como vai ser lá no Mato Grosso... - Vai ser bom vô, vai dar tudo certo, lé é bom...

Todas as vezes quis prometer que o levaria para pescar no pantanal, coisa que adorava, mas jamais prometeria a um grande amigo algo que sabia que não iria cumprir.

Sempre me perguntava como estava a Cynthia, pois acho que de tanto tentarmos ensiná-lo como se pronunciava e por causa da simpatia que não posso negar que a moça tem, ele queria falar o nome dela... - Tá bem vô, tá estudando, fazendo mestrado, depois vai fazer doutorado e virar professora, igual a Sid...

Nesse momento ele batia palmas e sorria, pois sem dúvida, para ele, o estudo era algo fascinante, talvez porque não o tivera. Mas nem precisava, sabia de quase tudo um pouco, e mais importante do que tudo, apesar dos eventuais erros que cometera com sua esposa e filhas, tinha caráter.

Me cumprimentava com um coquinho... sempre!!! Esse coquinho ficou famoso até em Viçosa quando um amigo teve a oportunidade de conhecer o seu Walter. Quando chegávamos a sua casa, meus irmãos e eu, fazíamos fila para o coquinho do vô. O último coquinho foi exatamente há uma semana, quando a trabalho, fui à São Paulo e passei lá para dar um oi. Dessa vez, quem deu o coquinho fui eu, pois ele já não tinha forças para levantar da cama.

A morte é inevitável e para ele foi um alívio. Me orgulho muito pois sei que lhe dei alegrias, assim como me deu muitas. E como não podia ser diferente, o coquinho do primeiro bisneto foi o último que ele deu antes de nos deixar.

Vô Velho, o Sr. estará pra sempre comigo, onde quer que eu vá... e pode ficar tranquilo que vai dar tudo certo, eu não disse?

domingo, 28 de outubro de 2012

Agora somos verdadeiramente órfâs


Meu pai faleceu sábado, dia 27 de outubro, depois de 88 dias nas garras de uma complicação pulmonar contra a qual lutou bravamente até a exaustão, quando seu coração de 92 anos, 9 meses e 22 dias não resistiu mais.

Homem rude e simples, temperamento forte herdado dos ancestrais germânicos e coração generoso onde circulava o sangue lusitano, viveu para o trabalho e a família e entre acertos e erros, apesar das dificuldades financeiras advindas de sua condição de operário metalúrgico criou e formou as três filhas até o ponto de alçarem voo com as próprias asas. 

Entre o trabalho assalariado até a aposentadoria e mais os anos de serviços prestados como consertador de fogões, chegou trabalhando ativamente até os 84 anos, quando um AVC lhe impôs o primeiro limite e ele descobriu que nem sempre estaria no comando das rédeas da vida. O primeiro baque. 

Nos oito anos que se seguiram tentou diuturnamente provar que não era um inútil, como na verdade se sentia, e sempre estava à cata se serviços, nem sempre condizentes com sua situação frágil. 
Superou um carcinoma no maxilar em 1991 e suportou durante os últimos quatro anos a lancinante dor da degeneração do nervo trigêmeo e até o último momento de consciência não aceitou a cruel, porém natural realidade da decrepitude. 

Não tinha escola mas não lhe faltavam conhecimentos, não tinha religião, mas acreditava em uma força superior acima de todas as coisas. Amava e respeitava profundamente a natureza. Gostava de pescar, ouvir valsas vienenses e tocar sua gaita alemã, que o acompanhou na internação, divertindo aqueles que o assistiam. 

Seu desgosto na vida, foi não ter tido um filho homem, mas não perdia a chance de dizer que suas filhas eram as melhores do mundo. 

Suas últimas palavras dirigidas a mim no leito de morte foram: “me dá um gole de água mãezinha”, gole tornado em gotas, que não saciou sua sede, mas aliviou meu coração ao vê-lo confundir-me com a figura de “mãe”, bem como minha mãe o fez em seus últimos anos. 

Agora somos órfãs, como disse minha querida irmã Sid diante daquele corpo à nossa frente, pela primeira vez em nossas vidas, totalmente em estado de repouso. 

Que a luz perpétua brilhe sobre o senhor, meu pai e que Deus lhe dê a paz que tanto buscou nesta vida terrena. 


Walter Walder:  05/01/1920 - 27/10/2012

Não encontramos palavras para agradecer a todos que nos confortaram durante este período difícil de nossas vidas e àqueles que o farão ao se inteirarem do ocorrido. Só Deus poderá recompensá-los.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Dia do médico - Uma homenagem póstuma.

Deveria homenagear diversos doutores em medicina, que passaram pela minha vida com competência e humanidade, mas serei injusta se relacionar nomes, pois sempre alguém será esquecido. Assim agradeço pessoalmente a cada um dos abnegados que nos atendem e pensando em todos, homenageio postumamente, um, em especial, por ter sido realmente muito especial.

Doutor Roberto Brólio, que  foi e sempre será o médico de família por excelência. Ainda jovem, por volta de 1947/48, realizou o complicado parto de minha tia-avó Ruth e a partir de então passou a atender a família Walder.

Na década de 60, quando meu avô debilitado pelo mal de Parkinson já não saía de casa, Dr Brólio o visitava, tratava-o com dedicação e por tabela consultava filhos, genros, noras e netos cobrando apenas o valor de uma consulta ao preço do consultório.

De origem humilde, formou-se na Faculdade de Medicina da USP. Era clínico geral, pneumologista, alopata e homeopata de acordo com a necessidade. Seu primeiro consultório localizava-se num conjunto modesto, na Praça da Sé, de onde saiu quando a região central de SP começou a deteriorar-se. Mudou-se então para o Itaim Bibi, onde esteve primeiro na rua Viradouro e posteriormente na rua Urussuí, onde ficou até encerrar suas atividades. Lecionou também no Curso Normal do Colégio Caetano de Campos.

Espiritualista sério e fervoroso, membro da Federação Espírita de SP e voluntário na Casa Transitória, exercia a medicina como um sacerdócio. Foi professor na Escola Paulista de Medicina e médico do Hospital das Clínicas até se aposentar. Bondoso, paciente, atualizado, profundamente conhecedor da natureza humana, recebia a todos em seu consultório com um abraço e os tratava de “queridos”. Aos mais aflitos consolava com sua famosa frase:

- Calma querido (a), daqui a 50 anos todos os seus males estarão curados.

 Nas consultas, sempre muito demoradas, tratava cada paciente como se fosse o único, preocupando-se com o corpo e a alma e não se importando com a sala de espera sempre lotada de clientes pagantes e não pagantes, que aguardavam pacientemente a sua vez. Sabiam que a espera seria recompensada e que ao atravessar aquela porta, a cura já começaria a se operar.

Dr Brólio também era escritor, escreveu entre outros, o livro “As doenças da Alma”.

Estive em seu consultório pela última vez em 1999, com minha mãe. Ele a consultou e em seguida conversou longamente comigo. Não foi uma conversa, mas um monólogo, somente ele falava. Em certo momento olhou-me profundamente nos olhos e disse: “Sua mãe está bem, você é que deve orar para ser forte, pois momentos difíceis a aguardam”. Meses depois, meu filho faleceu.

Foto de 1962, encontrada em http://ieccmemorias.wordpress.com/page/113/