quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Por onde andará a Rosa Gentile?

“Música é a expressão da alma, o reflexo dos sentidos, a manifestação pura das emoções. A música é um espelho do que sentimos...” 



Domingo passado assistia na TV, à Missa do Santuário do Pai Eterno e, em dado momento, cantaram uma música que gosto bastante, mas não lembrava toda a letra. Peguei meu livro de cantos e depois de por em dia a memória, fiquei ali, folheando aquelas páginas e associando as músicas com pessoas, fatos, locais por onde passei.

Vi minha sogra, com a fita do Apostolado da Oração, na missa do Padre João, lá em Americana, cantando: “Eu quisera, Jesus adorado, teu sacrário de amor rodear de almas puras, florinhas mimosas...”.

Na paróquia de Nossa Senhora Aparecida e São Roque, em Braz Cubas, Mogi das Cruzes, os jovens, um bom grupo de jovens, com seus violões cantavam empolgados: “Vem eu mostrarei o que ainda estás a procurar, a verdade é com sol e invadirá...”.

Meus filhos, coroinhas, lindos em suas túnicas vermelhas e batas brancas, acompanhava m a assembleia, animada pela Conceição e seu acordeão: ”É impossível não crer em ti, é impossível não te encontrar, é impossível não fazer de ti meu ideal.”.

Quando me casei, em 1965, ao meio dia, enquanto almoçávamos, ouvíamos a Rádio 9 de Julho, fechada, logo depois, pela ditadura militar e que está novamente no ar. O programa começava com um forte coral de homens entoando: “Vitória, tu reinarás, ó Cruz tu nos salvarás”.

Década de 70, auge das comunidades eclesiais de base e lá estávamos nós nas celebrações das periferias de Mogi das Cruzes. A opção pelos pobres e a conscientização de que sem pão é difícil ter fé, levava-nos a cantar nas reuniões dos grupos: “Para mim, a chuva no telhado é cantiga de ninar, mas ao pobre meu irmão, para ele a chuva fria...”.

Ainda nessa época todo casal católico engajado devia participar de um dos retiros do Cursilho da Cristandade. Fui também, contra a minha vontade. Estava grávida, passava mal e realmente não me sentia chamada naquele momento. Jamais esqueci o “Vou colher milhões de rosas brancas, para te entregar...” com a melodia de Bridge over troubled water, de Simon e Garfunkel, além do alegre hino oficial dos cursilhos:” De colores, de colores se vistem lós campos en la primavera...”.

De repente, cheguei a uma página que me surpreendeu. Nunca mais ouvi cantar aquela música. “Silêncio, silêncio, olhai o sacrário. A porta se abre já sai o Senhor...”. A Rosa Gentile – Rosinha – italiana, clara, olhos azuis, linda! Cantava-a muito bem. 

Nascida na Etiópia logo depois da 2ª guerra veio com a família para o Brasil e foi minha colega de classe desde a 6ª série até o final do Curso Normal.Era soprano e a queridinha da professora de música, dona Clarice Canabrava.

Em todos aqueles anos que estudamos juntas no IE Prof. Alberto Conte, na missa da Comunhão Pascal do colégio, celebrada na catedral de Santo Amaro, na hora do ofertório, acompanhada apenas pelo órgão, ela se adiantava ao coral e entoava aquela melodia. Era o momento mais esperado da celebração e não havia naquela igreja quem não se emocionasse com sua maviosa voz. 

Por onde andará nossa querida Rosa Gentile?

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Dia do Professor


Dia do Professor. Sim Professor, com P maiúsculo. 

Bons tempos esses em que o magistério era carreira respeitada e a figura do docente sinônimo de autoridade. Autoridade mesmo, emanada da competência no exercício de uma função, que muito mais que profissão, era vocação.

Lembro-me das minhas professoras do curso primário: dona Leonor, dona Adolphina, dona Stella e dona Aurora, cada uma com seu estilo, mas todas bem trajadas, com sobriedade e dignidade; tranquilidade no falar e segurança no ensinar; educadoras dedicadas que me inspiraram a querer imitá-las e lá fui eu fazer o curso do magistério.

Nunca me arrependi, nunca me decepcionei, jamais entendi a sala de aula como um local de trabalho como outro qualquer. Não. Ali era o palco onde a cada dia meus pequenos colegas de cena ensaiavam suas performances para o grande espetáculo da vida.

Os tempos mudaram, foram mudados os rumos da Educação. Sabíamos que não deveria ser assim, mas o que fazer? O resultado está aí, para quem quiser ver. 

Aposentada, lembro com carinho de cada ano do meu magistério. Não lembro dos alunos individualmente, difícil, foram mais de mil, mas a seu tempo, cada um deles foi especial, sem exceção.

Um dia desses, uma aluna me achou no facebook e deixou uma mensagem que hoje considero o presente do dia dos professores e que dedico às minhas colegas de toda uma vida.

"Oi professora Lídia, como vai?

Estou muito emocionada em encontrar a senhora por aqui. Fiz a segunda série com você no Cesar Martinez, em 1989/90. Lembro-me muito bem do nosso livro de pano e das redações em que eu tirei A parabéns. Está tudo guardado. Me tornei jornalista. Hoje sou responsável por uma revista de Filosofia.

Tenho amigos do Cesar, que estudaram comigo desde essa época, seus alunos também, e nos encontramos regulamente. Foi numa dessas buscas de fotos que te encontrei. Estou muito feliz! 

Espero que esteja muito bem. Que bom que tive a oportunidade de te encontrar para te agradecer. Hoje tenho a consciência de que meus professores foram heróis e você, com toda a certeza, teve importância especial na minha formação. Espero que tenha continuado a dar aulas, para que muitos outros possam ter tido a sorte que tive.

Um abraço carinhoso!"  Paula 

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1965 - 3ª Escola de Emergência - Bairro Rio Bonito - SP



1971 a 1980 - EEPG Antonio Olegário dos Santos Cardoso 
 Adachi - Mogi das Cruzes - SP




1981 a 1985 - EEPG Prof. Sylvia Mafra Machado
Mogi das Cruzes - SP


1987 a 1998 - EEPG Cesar Martinez - Moema - SP




Lecionei também
Curso de Alfabetização de Adultos - Brooklin - SP
 EEPG Mario de Andrade - SP - SP
Escola Mista da Praia Azul - Americana - SP
EEPG do Jardim São Paulo - Americana - SP
EEPG Prudente de Morais - SP - SP
Casa D. Macário - Fundação Lar de São Bento - SP - SP
Colégio Fleming - SP - SP

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A satisfação de fazer, por pouco que seja


Em 21/06/2006 publiquei no site vivasp.com, o texto “Árvores, saiam da frente para o progresso passar!”, motivado pela duplicação da Avenida Vereador José Diniz e suas implicações quanto às árvores ali existentes. Na ocasião recebi diversos comentários de apoio e protesto com relação ao corte das árvores. Além disso, o texto provocou uma seqüência de e-mails, que poderão ser lidos, por quem se interessar, no final desta página. 



Além de viabilizar o trânsito, o traçado sinuoso, ora buscando espaço à direita, ora à esquerda, para preservar da melhor forma possível a área, com ajardinamento central, grades de segurança para a travessia em pontos estratégicos e rebaixamento antiderrapante para facilitar a circulação de pessoas com necessidades especiais, deu nova vida à região e, o mais importante: os velhos eucaliptos da minha infância, no corredor atrás do Clube Banespa, foram respeitados e com sua presença valorizam a obra. 

Porque volto ao assunto? 

Há alguns dias, fazendo minha caminhada, passei pelo trecho mencionado. Estava uma linda manhã de sol e não me lembro por qual motivo, estava com a câmera. Com a satisfação de quem fez alguma coisa por aquelas árvores, fotografei-as. Agora posso ilustrar as lembranças que elas me trazem do tempo dos bondes, da minha infância e adolescência. 

Abaixo meu protesto e as mensagens que se seguiram. 

Árvores saiam da frente para o progresso passar! 

Os bondes que me levavam ao colégio, em Santo Amaro, passaram por aqui. Era o trecho entre as paradas Petrópolis e Alto da Boa Vista. Essas árvores, bem menores, ainda eram jovens, como eu. Agora, enquanto eu encontro-me mais velha e mais frágil, elas ao contrário, erguem-se exuberantes em direção ao infinito estendendo galhos à sua volta formando um aconchegante túnel natural. 

De acordo com a ordem natural das coisas, elas deveriam sobreviver à minha geração, para testemunhar às próximas, tudo o que viram do alto de sua ramagem e que registraram em seus troncos contaminados pela poluição, corroídos por cupins e esfolados por acidentes automobilísticos. Mas parece que isso não vai acontecer. Tenho ouvido dizer que serão todas ceifadas para dar lugar à duplicação da Avenida Vereador José Diniz, cujas obras estão vindo a partir da Rua da Fraternidade em direção ao centro e já se encontram no cruzamento com a Américo Brasiliense. 

Falta muito pouco para chegar a esse trecho, que corresponde aos fundos do E.C. Banespa. Será que nenhuma ONG vai levantar uma bandeira com o slogan: “Save the trees of Vereador José Diniz Avenue”? Em inglês, por que em português não dá IBOPE. 

1 - De: britto [mailto: britto@tremembe.com.br] Enviada em: quarta-feira, 28 de junho de 2006 08:25 Para: Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho Assunto: alameda verde na Vereador José Diniz Caro Secretário. Visite a página a seguir: http://www.vivasp.com/texto.asp?tid=4527&sid=10 É um depoimento lindíssimo, no ótimo site Vivasp, sobre a alameda verde da Av. Vereador José Diniz, que ameaça desaparecer. Aquela é simplesmente uma das paisagens mais bonitas de São Paulo, e mais marcantes para certamente milhares de pessoas: o corredor de eucaliptos atrás do clube Banespa. VÃO ACABAR COM A ALAMEDA? INADMISSÍVEL! Qual a sua opinião sobre isso? Abraço e boa sorte! Eduardo Britto 

 2 - Alô Lídia! Veja a resposta do secretário Eduardo Jorge à minha mensagem, sobre os eucalíptos da Vereador José Diniz. Espero que de fato seja uma operação que mantenha aquele ambiente único da avenida. Acho difícil isso acontecer, mas sinceramente torço por isso. Bem, vamos acompanhar. Eu raramente passo ali hoje em dia. Talvez num daqueles passeios que Elisa e eu fazemos de carro nos Sábados, possamos conferir. Aguardo notícias suas do que for acontecendo por lá. Se puder encaminhar a mensagem para alguns que se manifestaram no "comentários" do seu texto... Grande abraço. Britto. 

3 - From: "Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho" To: Cc: "Helio Neves" ; "Joanir Odorizzi" Sent: Tuesday, July 04, 2006 7:57 AM Subject: ENC: alameda verde na Vereador José Diniz Senhor Eduardo Britto, Veja abaixo, nota do Técnico do Depave Sr. Joanir. Foram discussões com a comunidade, Subprefeitura e Secretaria do Verde que possibilitou que a obra viária e de transportes fosse feita com um número muito menor de cortes e transplante em relação ao projeto original. Importante: as árvores da compensação ambiental serão plantadas na região da obra e já com bom porte, DAP 7cm, significa diâmetro a altura do peito 7 cm. São árvores com mais de 3 metros de altura. Atenciosamente Eduardo Jorge 

4 - De: Joanir Odorizzi Enviada em: segunda-feira, 3 de julho de 2006 14:11 Para: Helio Neves Cc: Celia Seri Kawai; Helena Emi Hiraishi; Francisco A. N. Silva; Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho Assunto: RES: alameda verde na Vereador José Diniz Hélio Neves O TCA 02/04inicialmente previa o corte de 204 exemplares e 81 transplantes. No aditivo, foi revisto o projeto e reduziu a intervenção na vegetação para corte de 53 exemplares e transplante de 26 exemplares. A compensação será realizada no próprio local e no entorno com o plantio de 328 mudas Dap 07cm. Joanir

domingo, 13 de outubro de 2013

Bisa Ana

Tenho por hábito dormir com o rádio ligado. Isso remonta ao ano de 1996,  fase difícil... Uma amiga sugeriu que ouvisse o programa do padre Marcelo, era muito tarde, começava a rezar e dormia. Hoje ouço emissoras jornalísticas e o efeito é o mesmo. 

Acordei com o apresentador pedindo que alguém do outro lado da linha informasse qual era a mulher com maior número de filhos naquela cidade. Viajei. Lembranças das conversas da minha mãe, sobre a minha bisavó Ana. Não a conheci, mas é como se assim não fosse. Sei tanto sobre ela, que me surpreendo. 

Casada por arranjo das famílias, aos 13 anos, com Francisco, um guapo mariachi, festeiro na Galicia, Espanha, veio para o Brasil com o marido e três filhos, por causa das reviravoltas políticas de lá. 

Teve catorze filhos, dos quais criou sete. Conta-se que brincava de casinha com a primeira, nascida-lhe aos catorze anos, sofria muito com a vida boemia do marido, que aqui continuou a tocar guitarra em festas. 

A família passou pela cidade de Itápolis, onde meu bisavô se estabeleceu, até com certo conforto. Depois de um período obscuro, com os filhos mais velhos casados e do qual os netos não sabiam quase nada, vieram para São Paulo, morar na Avenida Macuco, 16 - bairro de Moema, em situação de penúria.

Nesta cidade, a bisa passou a lavar roupa para fora pra ajudar no orçamento doméstico e, uma de suas principais freguesas, era uma família que morava na Rua do Ouro, Brooklin, numa propriedade conhecida por “Vila dos Pássaros”. 


                Foto extraída do folheto de propaganda do loteamento do bairro - 1947 

Em 1947 meu pai comprou um terreno na rua dos fundos da mansão e é onde vivemos até hoje. Antes do meu nascimento, numa cidade quase deserta, de carroças e bondes, minha bisavó andava pelos caminhos que eu percorro há muitos anos. 

Apegada à minha mãe, que morou com ela por algum tempo, preocupava-se quando esta engravidou e a visitava, quase todas as tardes quando voltava das entregas de roupas. Lá estava eu para nascer e já ganhava da bisa Ana, recuerdos, entre eles, uma planta, cujos descendentes sempre estiveram presentes na nossa casa, bem como a tijelinha, onde minha mãe tomou a primeira refeição na casa da abuela, nos idos de 1924. 


Mas hoje, ao acordar, a imagem que me veio da bisa Ana, da qual nunca vi uma foto, era a da mulher oprimida, engravidando inúmeras vezes, aceitando e criando com amor os filhos. Mulher que conheci por meio do carinho que minha mãe demonstrava ao referir-se a ela, a ponto de, depois de sua morte e próximo ao meu nascimento, ainda ouvir sob sua janela o arrastar de seus chinelos.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Será mesmo?

Nosso médico de família, nos bons tempos dos meus avós ainda vivos, dizia que um grande problema do ser humano em determinadas circunstâncias, é ele ter opções. A opção gera a possibilidade de escolha que leva à expectativa e esta provoca não raro, a frustração, motivo da infelicidade. 

Sem opção desenvolvemos a capacidade de adaptação, que se não leva à felicidade (que na verdade não existe, o que existe são momentos felizes), pelo menos não há arrependimento, nem culpa (um dos maiores males da humanidade). 

Sempre fui uma pessoa sem grandes expectativas. Meus sonhos são simples e realistas. Dificilmente me decepciono e contento-me com o que tenho. Considero-me uma pessoa próspera, não detenho bens de valores, mas nada me falta. 

Uma caçamba para garimpo consegue me fazer mudar de planos, de rota e colocar a imaginação a mil, com o vislumbre das peças reformadas, prontas. 

Essa reflexão saiu de uma das minhas gavetinhas mentais, porque de repente me peguei falando com meus botões, depois de uma longa conversa (monólogo do lado de lá) com uma pessoa, para quem tudo é difícil, mau e complicado. Haja baixo astral! 

Subi as escadas bem devagar, respirando fundo e pensando: 

 - Nossa! Hoje o dia foi tão bom. Pouco fiz, mas tudo deu certo. Uma sensação boa de paz me preencheu, e foi então que me lembrei do doutor amigo e de suas reflexões. 

Não planejo meus dias, eles acontecem. Na agenda apenas o que depende de terceiros, de resto deixo acontecer e danço conforme a música.

Acho que é por isso que meu pai dizia que eu "levo a vida na flauta".

sábado, 28 de setembro de 2013

Lentilhas, Bíblia, etc...

Encerramos nesta semana o Mês da Bíblia e no afã da vivência deste momento litúrgico, lembranças da infância emergem e se faz necessário que as registre. 

Talvez por que meu avô paterno (o materno faleceu antes do meu nascimento) tenha sido uma figura marcante na minha infância e, talvez por que a imagem que tenho dele é sempre a do Dia do Senhor – terno escuro, camisa branca, gravata, botas de meio cano, chapéu, Bíblia na mão, talvez por isso, e por admirá-lo tanto, o livro sagrado sempre teve significado especial para mim.


Aprendi a ler aos quatro anos e entre os 8 e 12, “devorei” os livros da biblioteca do Grupo Escolar Mario de Andrade. Nessa época, todos os dias, abria a Bíblia do meu pai e lia trechos do Velho Testamento. Desconhecia o significado de muitas palavras, mas me lembro de que entendia as narrativas, como histórias daquelas pessoas. Impressionavam-me particularmente as histórias de Sansão e Dalila; a vida de José e o reencontro com os irmãos no Egito; Moisés e as pragas; e, não sei por que, talvez pela originalidade do nome, o rei Nabucodonosor. 

Uma história marcou-me para sempre e ainda me lembro de quando a li pela primeira vez, tinha nove anos e frequentava a catequese para a Primeira Eucaristia, na Paróquia S C de Jesus. A narrativa sobre os gêmeos Esaú e Jacó, filhos de Isaac, netos de Abraão. O primeiro era o primogênito. Foi aí que aprendi o significado da palavra. Mas, se eram gêmeos, como Esaú podia ser o primogênito? O importante é que estava escrito na Bíblia e, portanto, era verdade: Esaú era o primogênito e trocou sua primogenitura com Jacó, por um prato de lentilhas. 

É por isso, pelas lentilhas, que nunca esqueci esse trecho. Lentilhas são um de meus pratos favoritos e sou a primogênita, portanto toda vez que minha mãe fazia essa iguaria, eu brincava com minhas irmãs, propondo-lhes a troca de suas porções pela minha primogenitura, como fizeram “Esaú e Jacó”. 

Seja pelas histórias, ou pela figura do meu avô, só sei que a Bíblia esteve presente na minha infância e mesmo sem entender fui me familiarizando com aqueles textos, me deixando seduzir por aquilo que entendia e me apaixonando pelas coisas do alto.

Foto: Meus avós Luiz Walder (65)  e Deolinda do Amaral Walder (62) em trajes de "Dia do Senhor"

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Janelas: vãos da alma!

Janelas me encantam. Seja olhadas de fora, imaginando o que haverá do outro lado, seja de dentro para fora, lançando o olhar, muitas vezes em direção ao inatingível. Janelas são elos de ligação entre mundos separados. Resolvi aliar frases significativas às fotos que fiz, das janelas das edificações da Real Fábrica de Ferro, primeira fundição do Brasil, na Fazenda Ipanema. Gostei!

Entre muitas outras coisas, tu eras para mim uma janela através da qual podia ver as ruas. Sozinho não o podia fazer.(Franz Kafka)


Existe algo mais importante que a lógica: a Imaginação. Se a idéia é boa, jogue a lógica pela janela.(Alfred Hitchcock)

                                                              
Quem faz um poema
abre uma janela.


Respira, tu que estás
numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
 
Por isso é que
os poemas têm ritmo
- para que possas
profundamente respirar.

(Mario Quintana) 

***

Um livro é como uma janela. Quem não o lê, é como alguém que ficou 
distante da janela e só pode ver uma pequena parte da paisagem. 
(Kahlil Gibran)

 
                        Quando o sol bater na janela do teu quarto,
                            Lembra e vê que o caminho é um só,
                      Porque esperar se podemos começar tudo de novo
                                 agora mesmo.(Renato Russo)


 

 Se um dia fecharem-lhe as portas da vida, pule a janela. (Augusto Cury)

                                                                 ***

Existem manhãs em que abrimos a janela, e temos a impressão de que o dia está nos esperando. (Charles Baudelaire)


Abre o teu coração ou eu arrombo a Janela. 
(Chico Buarque)

                                                              ***
A televisão matou a janela.
                                                 (Nelson Rodrigues)


Abra a janela do teu coração e deixe a alma arejar!

Sabe aquele cheiro de mofo de sonhos que envelheceu e você nem se deu conta? Deixe que o vento leve para longe...

Faça uma boa limpeza na vidraça da janela do coração, garanto que você enxergará melhor a vida lá fora...

Abra a janela da vida e seja pleno em cada coisa ainda que pareça pequena.

Viva na forma adulta de ser criança, debruce na janela e não olhe a vida passar através dela... Viva a Vida! (Padre Marcelo Rossi)
 


Real Fábrica de Ferro - Fazenda Ipanema 
                         Araçoiaba da Serra, 21 de setembro de 2013