domingo, 19 de junho de 2011

Generosidade natural


É bom acordar, abrir a janela, ser abençoada com uma linda manhã ensolarada e de repente reparar na penca da mini orquídea que já deve estar ali há alguns dias, pacientemente esperando ser notada. Desculpe a minha falta de atenção, ando muito ocupada e toda dolorida.

domingo, 12 de junho de 2011

DOIS TOCOS DE VELA - Padre Zezinho


Pessoas idosas, mas cheias de luz, me encantam. Brinco, ao dizer que parecem tocos de velas grossas! Uma vez, mostrei a um casal com 60 anos de amor, um círio pascal que ardia num canto de sua casa e tinha apenas dez centímetros de cera.

-Vocês são assim, disse eu!

-Somos tocos de vela?-, riu ela, enquanto me segurava a mão.

-São, vó. Vocês foram envelhecendo graciosamente, perdendo sua cera, derretendo-se de amor pela família, mas ainda têm cera para derreter e pavio para queimar por muito tempo. A luz continua a mesma. Perderam a mocidade, mas não perderam o brilho!

-Que sabedoria!- exclamou ela. E deu-me um beijo, no que foi secundada por ele.

-Ai meus 30 anos! – brincou o velho Zezo.

O que eu disse àqueles anciãos de 77 e 80 anos, tenho repetido a muitos outros, porque lembram círios pascais. São tão doces, que põem em risco a saúde de qualquer diabético; tão iluminados, que não se percebe que estão diminuindo pela idade. O físico lhes prega peças, a memória às vezes falha, mas não a ternura e a sabedoria dos anos e de um amor dialogado.

Vô e vó, em certos lares são como tocos de vela grossa, que arderam a vida inteira. Sopraram ventos de fora, e de dentro mas a chama não apagou. Tinham como protegê-la. Houve bruxoleios e titubeios e uns pequenos qüiproquós, mas tudo foi resolvido antes que virasse tempestade. Aquelas mãos que se tocavam foram alisando também as dificuldades. Tinham porque viver e por quem viver. Quando vieram os filhos e netos, tinham ainda mais razão para viver. Outra gente bonita e até perigosamente insinuante ficou de fora daquele casamento, porque, por mais lindos que fossem aqueles olhos e aqueles corpos, em casa havia alguém que valia mais a pena. Era amor de cepa e de raiz. Não foi só obediência a Deus e à Igreja. Foi carinho mesmo!

Hoje, quando “por qualquer de repente” e qualquer “dá cá aquela palha”, lá estão eles emburrados e ameaçando terminar a relação - e os filhos, que se adaptem... - esses dois tocos de vela são um lembrete permanente aos que acham que a vida a dois só vale quando um satisfaz o outro. Esquecem que existe algo ainda mais importante, que é quando um se satisfaz com o outro, mesmo que este outro não consiga satisfazê-lo em tudo.

Crianças não nos satisfazem em tudo, mas, porque nos satisfazemos em tê-las ao redor, tudo acaba dando certo. Quando Jesus disse que deveríamos aprender com as crianças, estava falando disso (Mt 18,3).

Casais felizes não são os que conseguem tudo um do outro e, sim, os que amam o suficiente para dizerem que o que conseguem já é o bastante para uma vida inteira. De vez em quando, vale a pena refletir sobre as luzes que temos em casa! Têm mais volts e watts do que imaginamos! Padre Zezinho (19/08/2007)

Círculos ou ciclos?

Minha mãe nasceu na cidade de Itápolis, numa fazenda de café. Seus pais, Juan e Assunpcion eram imigrantes espanhóis chegados no começo do século. Aos seis anos, após um infarto do meu avô, a família veio para São Paulo, onde já estavam meus bisavós. De Itápolis diretamente para a Avenida Macuco 16, em Moema e, em seguida, para a Chácara dos Eucaliptos, próximo à Estrada de Santo Amaro, onde meu avô deveria ser o responsável pelos lenhadores. Claro que não deu certo, não era talhado para mandar, mas assim mesmo ficaram morando na propriedade.


Aos poucos a família assimilava a nova situação e se integrava na rotina do dia a dia da “cidade grande”. Muito ouvi sobre vizinhas sentadas debaixo de árvores e crianças brincando nos espaços comuns; verdureiros e peixeiros oferecendo seus produtos. Aulas de catecismo na Sagrado Coração, no Brooklin e intermináveis rezas na igreja Nossa Senhora Aparecida de Moema, sempre em companhia das amiguinhas.

Estas lembranças assomaram no dia 29 de maio último, quando fotografei – com uma Yashica de filme de celulóide - a solenidade da Coroação de Nossa Senhora, no encerramento do mês de Maria. Vendo as crianças vestidas de anjo, compenetradas carregando a coroa da Virgem e cestas com pétalas de rosa, senti minha mãe muito próxima, pois uma das poucas coisas que não esqueceu até os últimos dias, foi de quando ela também, se vestia de anjo para essa solenidade e o mais interessante: nesta mesma igreja, ainda capela, quando nem era paróquia.

O mundo dá muitas voltas e para mim, parece que sempre volto ao mesmo lugar. Estarei girando em círculos ou vivendo ciclos que se completam?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

SER CHIQUE SEMPRE - GLÓRIA KALIL

Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje.

A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas. Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano.

O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida. Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.

Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.

Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta. É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.

Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador. É lembrar-se do aniversário dos amigos.

Chique mesmo é não se exceder jamais! Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.

Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor. É "desligar o radar", "o telefone", quando estiver sentado à mesa do restaurante, prestar verdadeira atenção a sua companhia.

Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.

Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!

Chique do chique é não se iludir com "trocentas" plásticas do físico... quando se pretende corrigir o caráter: não há plástica que salve grosseria, incompetência, mentira, fraude, agressão, intolerância, ateísmo...falsidade.

Mas, para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos terminar da mesma maneira, mortos sem levar nada material deste mundo.

Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qua lquer coisa que não lhe faça bem, que não seja correta.

Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour!

Porque, no final das contas, chique mesmo é Crer em Deus!

Investir em conhecimento pode nos tornar sábios... mas, Amor e Fé nos tornam humanos!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Enquanto aguardava uma consulta, li esta singela estoria

Um senhor já de idade, que se dizia descrente, foi ter com um famoso monge para ver se ele resolvia seus problemas de fé.

O monge conversava com outra pessoa, mas, ao ver o velhinho chegar, correu sorridente a dar-lhe uma cadeira para se sentar. Acabada a conversa, a outra pessoa despediu-se e o monge dirigiu-se ao velhinho e começou uma intensa conversa com ele sobre fé.

O velhinho de descrente que era torou-se crente e confiante nos ensinamentos do monge.


Ao ver a mudança, um discípulo do monge, que tudo presenciara, intrigado perguntou ao velhinho:

- Diga-me: qual foi o argumento que o convenceu?

Ao que ele respondeu:

- Foi o gesto de me trazer a cadeira para me sentar.

Esta pequena história me lembrou que não importa a fé quando não é acompanhada de ações. É coisa morta.

Estela Casagrande - Jornal Cruzeiro - Foto: http://dripedroso.blogspot.com

sábado, 28 de maio de 2011

TROPAEOLUM OU NASTURTIUM?

Depois de longa procura e muita preguiça de ir ao CEASA, finalmente encontrei, se não mudas, pelo menos sementes da tão desejada e necessitada Capuchinha, mas no pacote não está escrito Tropaeolum, assim pintou uma dúvida.

Quando trabalhei numa empresa de alimentação, via constantemente pratos decorados com essa flor comestível e a proprietária comprava a minha conhecida Capuchinha ou Chagas, como Nasturtium. Ao escolhê-la para titular o blog, pesquisei e encontrei Tropaeolum Majus. Sentia algo estranho, não me era familiar...

Hoje voltei à internet e, se o dicionário era “o pai dos burros”, acho que ela é “a mãe”, lá encontrei a solução do enigma: Tropaeolum ou Narturtium? O último é o nosso conhecido agrião, usado na culinária e na fitoterapia e, como se lê na Wikipedia: “ as chagas, do gênero Tropaeolum, da família Tropaeolaceae estão relacionadas ao Nasturtium pelo sabor picante das folhas, que lhes empresta o nome.”

Tudo esclarecido, só resta esperar que as sementes germinem para degustar uma saladinha de Nasturtium, ops! Tropaelum majus.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Vocação - Profissão - Missão...

Morei na Avenida Macuco até os quatro anos e meio. Não sei como começou, mas o que lembro é que o senhor Mário, um de nossos senhorios, que eu chamava de vovô, me perguntava o que eu queria ser quando crescesse e sempre respondia: “professora”. Fico a imaginar de onde tirava essa afirmação.

O vovô Mário era professor aposentado e pastor metodista. Teria ele me influencida com suas histórias? Ou seria minha mãe, com o prazer que demonstrava ao me ensinar as primeiras letras enquanto realizava as tarefas domésticas? Quiça a professora da Escolinha “Yara Maria” (nem sei como lembro esse nome!), por onde passei pouquíssimo tempo, mas o suficiente para, aos quatro anos surpreendê-la com a afirmação categórica de que a vitamina da maçã estava na casca, quando gentilmente ofereceu-se para descascar a fruta que levava de lanche.

Pedro Nava esreveu em Balão Cativo: “é impossível restaurar o passado em estado de pureza. Basta que ele tenha existido para que a memória o corrompa com lembranças superpostas”, assim, escrevo o quê e como me vem à memória, sem a preocupação da averiguação de verdade absoluta, mas o fato é que eu realmente queria ser professora e sabia o que era ser professora: ter uma lousa, giz e alguém à frente para ensinar, fosse o que fosse. Vacação, talvez...


Sempre fui muito boa aluna, num tempo em que se rotulavam as crianças (com a melhor das intenções), sempre estive na seção A, com medalhas e fitas verdes amarelas no peito e, citada como exemplo pelos professores. Ia para a esola com prazer, amava e respeitava meus mestres e curtia muito as amigas, mas para dizer a verdade, não gostava muito de estudar, apenas tinha um objetivo claro à frente e para atigí-lo todos os esforças eram apenas circunstâncias transitórias.

Aos catorze anos preparei em um mês, minha irmã para o exame de admissão ao ginásio. Ela passou bem classificada. Considerado um grande feito pelos meus professores, mas nada demais ante a inteligência privilegiada da mana que hoje é cientista. Mas amei cada minuto de aula que ministrei àquela pobre criatura de 10 anos que submissa satisfazia minha gana de torturá-la com enormes quantidades de tarefas que ela cumpria docilmente. Foi minha primeira aluna e daí nasceu a idéia de preparar outras crianças para o exame de admissão e dar aulas particulares para obter recursos financeiros para ajudar nos estudos, no enxoval...

Aos dezessete anos, antes de me formar, assumi uma classe do Curso de Alfabetização de Adultos, que funcionava na igreja Sagrado Coração de Jesus. Uma primeira série composta de esforçados trabalhadores que à noite tentavam reuperar o tempo e os conhecimentos não adquiridos na infância. Uma experiência única e gratificante.


Minha formatura no Curso de Formação de Professores Primários foi em 19 de dezembro de 1964, no Instituto de Educação Professor Alberto Conte, uma instituição modelo do ensino oficial do Estado de São Paulo. Finalmente era professora com diploma e anel e mister se fazia conseguir uma classe para exercer a tão sonhada profissão/missão.