sábado, 3 de agosto de 2013

Anotações de viagem


Estou cansada, mas não poderia dormir sem registrar, pelo menos um pouco das impressões deste dia, enquanto estão bem vivas. Mais de 200 fotos para editar, uma edição bem enxuta e tenho uma amostra expressiva de momentos que não esquecerei.


 
Saímos logo cedo, rumo ao norte, à caça de lagoas. A seca castigou por aqui e as primeiras estavam muito baixas, decepcionantes. As lagoas, pois a paisagem sempre surpreende.




Semi árido alternando-se com litoral e lá estávamos aos pés da "Árvore do Amor". Duas árvores que entrelaçadas se fizeram uma.




 
Caminhos estreitos, dunas e já avistávamos no horizonte as torres de energia eólica e suas hélices em giros eternos - aqui o vento nunca para.





 


Enfim, uma lagoa perfeita: a lagoa da Cotia. Água tépida e transparente para refrescar e petiscos locais para revigorar o corpo.






 
Dali seguimos para o município de Pureza, onde visitamos a fazenda e o alambique da empresa Extrema. O aroma daquele galpão de envelhecimento da água ardente era irresistível.



Em seguida fomos visitar a principal atração da cidade: o olho d´água, uma nascente vigorosa, que brota em meio a rochas calcárias, e cujas águas cristalinas apresentam-se em tons azulados. No entorno, um grande bosque, foram construídas obras de infraestrutura que possibilitam uma estadia tranquila para os visitantes, bem como uma imensa piscina pública, com fundo de areia e água corrente, perfeitamente integrada com a natureza local.

Além de proporcionar lazer, no olho d´água existe uma central de captação e tratamento,  responsável pelo abastecimento de diversas cidades da região.






É claro que caímos na água e foi só alegria.



Na volta o lindo por do sol, fechou com chave de ouro nosso sábado.


Ah! Não falei das pessoas, mas será que precisa?

quarta-feira, 24 de julho de 2013

E o milagre já acontecia...


Nos primeiros dias de março, postei esta foto e intitulei de “À espera de um milagre”. Estava no hospital, com a minha irmã internada há pouco mais de uma semana, com um diagnóstico cruel e sem muitas perspectivas de solução, conforme informação da equipe médica. Restava-me apenas a fé e a confiança em Deus e a Ele, humildemente orei e pedi aos amigos que o fizessem.

Sempre inicio minhas orações, adaptando a frase do centurião romano em Cafarnaum: “senhor eu não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e meu servo será curado” (Lucas 7,1-3).

Dia após dia, os resultados dos exames não se alteravam e novos tratamentos eram prescritos. Tratamentos invasivos, dolorosos, de alto risco. Na verdade, os últimos recursos de que a medicina dispunha naquele caso. Foram 19 sessões de plasmaferese, em dias alternados, onde por meio de uma máquina, todo o plasma é trocado por outro, de doadores. Mais de 240 bolsas. Transfusões de sangue para repor as hemácias destruídas e, diariamente, durante 43 dias, sessões de hemodiálise, que a debilitava de tal maneira que não tinha forças para falar.

A um pedido, dezenas de pessoas compareceram para doar sangue. Atitude de quem ama verdadeiramente o próximo e aos quais seremos eternamente gratos.

Depois de 53 dias de internação, viemos para casa. A única coisa que me mantinha equilibrada era a fé, pois humanamente falando, minha irmã não sobreviveria ao mal que a acometeu, mas o milagre que eu esperava, já estava acontecendo muito antes daquele dia.

A descoberta “por acaso” de um tumor, o cirurgião certo, o patrão que ajudou muito, o resultado da biópsia pós cirúrgica, o patologista, sem que o soubéssemos, o melhor do Brasil em biópsia de rim, a competente hematologista, responsável pelo acompanhamento do quadro e outras pequenas coisas, nos mostram dia após dia , que nossa fé não é vã, que como em Cafarnaum, basta-nos recorrer ao Senhor e estaremos salvos de todos os males.


Hoje ela faz 2 sessões de hemodiálise por semana, os exames apresentam  melhoras, ela sente-se disposta para ir e vir, cuidando de suas coisas, a ponto de no domingo, dia 14 de julho, até concordar em fazer um passeio no Parque Burle Max a convite do Mike, um bom amigo, que muito a tem ajudado.

Eu continuo, não à espera de um milagre, mas agradecendo a cada segundo do dia, o momento em que minha irmã, retomará a vida normal, sã, e este ano de nossas vidas seja uma lembrança de maus momentos com um final feliz.

sábado, 20 de abril de 2013

Parabéns Everton e Jamila!



Depois de 15 anos volto a Mogi das Cruzes. Os mesmos caminhos, agora estranhos pra mim. 

A viagem tranquila, estradas modernas e bem cuidadas. A cidade completamente outra. Em nada lembra aquele lugar velho, sufocante, espremido às margens do Tietê, aos pés do Itapeti. 



Na pracinha, em frente ao Colégio Santa Mônica, onde tantas vezes sentei-me para esperar a saída dos filhos, as mesmas árvores permanecem altivas, centenárias a me olhar do alto de suas copas, como a perguntar, onde estão aquelas crianças? De resto, tudo mudou. 


A igreja do Carmo, que não conheci enquanto lá morei, foi uma
revelação neste sábado nostálgico. Simplesmente linda! Um patrimônio histórico da cidade, muito bem conservado. 

Cheguei cedo e encontrei o Douglas – amigo do Everton - que também se antecipou no horário. Foi bom, não esperei só. Obrigada!


Enfim, chegou a hora mágica e as lembranças se foram, a tristeza se dissipou dando lugar à alegria e emoção de fazer parte da realização de um sonho, da constituição de uma nova família com as bênçãos de Deus. 












Estive de corpo e alma na cerimônia do casamento do meu afilhado. Revi e matei as saudades daquela família querida. Mas descrever o que se passou me é impossível, sem a visão das flores, das pessoas sorridentes, da música, ah, a música, escolhida com o coração. Um momento para ser vivido, sentido e guardado para sempre no baú da saudade. 



Parabéns Everton e Jamila!

sábado, 13 de abril de 2013

ACORDAI, ACORDAI!


Comprovante do depósito e senha preferencial

DESRESPEITO

Dia 9 de abril estive na agência do Banco do Brasil, localizada na Rua Bernardino de Campos, 250 – Paraíso. Precisava fazer um depósito na boca do caixa. 

Cheguei por volta das 14h e 25min. Não posso precisar, NEM PROVAR, pois como se vê na senha, que guardei propositalmente, NÃO CONSTA A HORA DE SUA EMISSÃO. 

Inicialmente três caixas faziam o atendimento, sendo um no Caixa Preferencial e dois nos caixas comuns. 

Meia hora depois, um dos caixas se retirou e o cliente que ali estava desde que cheguei, passou ao outro caixa. Direito dele de ser atendido em sua necessidade.

Vinte e cinco pessoas aguardavam o atendimento, quando me dirigi a um funcionário e questionei sobre a necessidade de agilizar o atendimento. 

- Fale com os caixas e peça que o supervisor deles resolva. 

Foi o que fiz. Eles nada podiam fazer. 

Exaltei-me e fiz constar em voz alta, com educação, que além do mau atendimento aquela agência bancária descumpria a lei, pois fornecia senha sem a hora, não permitido o controle do tempo de espera e impedindo que os clientes façam valer seu direito de reclamar junto ao PROCON a indenização devida pela demora no atendimento. 

NINGUÉM SE MANIFESTOU. 

Indignada, voltei ao meu lugar e como as mais de trinta pessoas que agora ali estavam, aguardei a minha vez, triste por constatar que somos um povo que não sabe defender seus direitos, e diante do desrespeito, das injustiças, apenas murmuramos no vazio, por vergonha, medo ou quem sabe, desconhecimento da força que temos quando unidos.

Às 15h 09min 20seg fui atendida.


domingo, 7 de abril de 2013

Muito mais a agradecer...



Levanto, tomo o café, olhar perdido no paredão de concreto à frente. Nem direito à visão do horizonte temos aqui.

A enfermeira entra e, como na melodia, “todo dia ela faz tudo sempre igual, me sorri um sorriso pontual...” .

- Lembra daquele senhorzinho do quarto ao lado? Então, ele faleceu esta madrugada. Rotina...

Rotina que se repete há seis semanas, mas que não vence nossa fé e esperança. Aqui, uma melhora de 0,5% num exame é sempre uma grande vitória, sinal de que não houve piora. 

Hoje, além da linda notícia da chegada do meu primeiro bisneto, o Artur Miguel, tenho como fazer o que mais gosto: escrever, falar das minhas coisas, contar sobre todo carinho que recebemos nestes últimos tempos e que demonstra mais uma vez, a autenticidade e generosidade já sabidas dos parentes, amigos e até desconhecidos que nessas horas se solidarizam, nos lembrando a cada minuto "que temos muito mais a agradecer do que a pedir".

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Morcegos: ontem e hoje


Com as últimas chuvas a minha Mata Atlântica cresce, cresce descontroladamente. Esta semana dedicamos duas manhãs para podar as plantas e tentar abrir caminhos para o sol. Ainda na lida, a campainha toca e um agente sanitário da prefeitura nos alerta sobre o fato de ter sido encontrado um morcego com raiva aqui, no bairro. Deixou um folheto explicativo sobre morcegos, precauções, cuidados e procedimentos ao encontrá-los. 

Enquanto tomava o merecido banho após a lida, lembrei-me dos primeiros dias do meu retorno à casa paterna, em 2004 e de um texto que publiquei naquela época. 

“Meia noite. Pausa para os comerciais. Cenas finais do filme “O preço de um resgate”, com Mel Gibson, surpreendentes para quem visse pela primeira vez. Um OVNI cruza o ar pelo corredor na penumbra, passando pela porta do quarto. 

- Será um pássaro? Um avião? Ou o Superman? 

Acho que vi um passarinho, mas se eu disser isso à luz do dia, dirão que enlouqueci. Poderia ser uma mariposa – com dois palmos de envergadura?! 

No café da manhã comento com meu pai, que me olha condescendente, sorri meio de lado e não diz nada. Por certo tem medo de magoar a filha que a essa altura já julga senil. 

Uma semana depois, três horas da madrugada. Os mosquitos com sua serenata não me deixam dormir. Acho que a Prefeitura não está cuidando bem da minha Vila Carmen. Acendo as luzes e saio à caça das infernais criaturinhas. No corredor, com a luz ainda apagada, avisto um vulto pendente do forro de madeira. 

- O que será? 

Na véspera fiz faxina e aquilo não estava lá. Sem muito entusiasmo acendo a lâmpada e aí tudo se explica: alçando um belo e artístico vôo, um genuíno descendente do Conde Drácula passa por mim, dá uma voltinha bem direcionada e sai pela janela do banheiro, que jamais, em hipótese alguma, será aberta.

Suspiro aliviada, o OVNI estava identificado. Cruzes! Estacas! Muito alho!” 


Depois disso, aprendi a conviver com os morcegos que aparecem após o escurecer, alimentam~se com as frutas do quintal e nos assustam com seus voos rasantes, de uma precisão admirável, visto sua navegação ser totalmente orientada por radares.