domingo, 29 de dezembro de 2013

Que 2014 seja uma viagem!



Dentro de alguns dias, um Ano Novo vai chegar a esta estação. 

Se não puder ser o maquinista, seja o seu mais divertido passageiro.

Procure um lugar próximo à janela e desfrute cada uma das paisagens que o tempo lhe oferecer, com o prazer de quem realiza a primeira viagem.

Não se assuste com os abismos, nem com as curvas que não lhe deixam ver os caminhos que estão por vir.

Procure curtir a viagem da vida, observando cada arbusto, cada riacho, beirais de estrada e tons mutantes de paisagem.

Desdobre o mapa e planeje roteiros.

Preste atenção em cada ponto de parada, e fique atento ao apito da partida. 

E quando decidir descer na estação onde a esperança lhe acenou não hesite.Desembarque nela os seus sonhos... 

Lembre-se: para que você tenha um ótimo Ano Novo, você não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar pelas besteiras que fez e falou durante o ano que está se findando. 
Nem acreditar que por decreto da esperança a partir de janeiro,  as coisas mudem e tudo seja claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, a começar pelo maravilhoso direito de viver.

Mas que para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você tem de merecê-lo, tem que fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, faça com que seu 2013 seja diferente. 
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

Desejo que a sua viagem pelos dias do próximo ano, seja de PRIMEIRA CLASSE. 

Que o seu 2014 seja, 2014 vezes melhor do que 2013.


Feliz Ano Novo!!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Quando o Natal chegar



Desta vez, quando o Natal vier, não imagine o presente que vai dar ou receber, não imagine o peru que vai reunir a família, não imagine a alegria dos abraços, beijos e reencontros.

Desta vez, quando vier o Natal, não imagine o Menino Jesus na manjedoura, não imagine o presépio com água, rodinhas de moinhos, os pastores, os carneirinhos, os reis magos... Não pense na árvore de Natal, não pense no rechonchudo e bonzinho Papai Noel. Não conte para as crianças a história de Papai Noel, não pense no vestido novo, não sonhe com os presentes.

Se tiver a tentação de sair por aí desejando feliz Natal, se quiser enviar  cartões de boas festas, com aquele batido, manjado e já mil vezes desejado Feliz Natal e Próspero Ano Novo; se por qualquer razão estiver planejando sair, não saia.

Desta vez, quando chegar o Natal, faça uma coisa que os devotos daquele tempo não fizeram, acolha uma família pobre e partilhe com ela o seu Natal, ou vá até elas e faça ali o seu Natal. 

Natal é mais ou menos isto. O dia 25 de dezembro não muda a humanidade. Nós é que precisamos mudar o significado do dia 25 de dezembro em nossos lares. É dia de Jesus Cristo. É dia de paz na terra aos homens de boa vontade e não de festejar a chegada de uma criança, para a qual, no ano anterior não houve nem sequer uma missa dominical que exige tão pouco... 

Passe o Natal em Paz. Conte para seus filhos, ou netos a história de Jesus, Maria e José. Peça desculpas do que porventura magoou a família durante o ano. Depois disso, saia por aí desejando a todos um Feliz Ano Novo, mesmo que não seja tão próspero...

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Onde está você?

“Hoje a noite não tem luar
E eu não sei onde te encontrar
Pra dizer como é o amor
Que eu tenho pra te dar”

Olhando as damas da noite no quintal escuro e molhado pela chuva, não sei por que, me lembrei da dona Clarice Canabrava, a professora de música do meu tempo de estudante. Dura sem perder a ternura, além das aulas, dirigia o coral do colégio. 

Afastou-se por algum tempo quando o filho faleceu e quando voltou não era a mesma. Passava as tarefas, sentava-se ao piano no grande auditório do colégio, olhar perdido. Dedilhava as teclas e acompanhando a si mesma, cantava em forma de lamento essa música, enquanto as lágrimas escorriam-lhe dos olhos. Era de cortar o coração...

Onde está você?
(Oscar Castro Neves e Luverci Fiorini)

Onde está você
Se o sol morrendo te escondeu?
Onde ouvir você
Se a tua voz a chuva apagou?

Onde buscar se o coração
Bater de amor pra ver você?

Hoje a noite não tem luar
E eu não sei onde te encontrar
Pra dizer como é o amor
Que eu tenho pra te dar

Passa a noite tão devagar
Madrugada é silêncio e paz
E a manhã que já vai chegar
Onde te despertar?

Vem depressa de onde estás
Já é tempo do sol raiar
Meu amor que é tanto
Não pode mais esperar

Foto: http://albertocontetuahistoria.blogspot.com.br

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Amigas para sempre


2013 passou tão rápido, que nem parece que teve o mesmo número de meses, dias, horas. Chegamos em novembro e só então foi possível, meio de última hora, no improviso, fazer acontecer o tradicional encontro das professoras aposentadas da EEPG César Martinez, no dia 26, no Empório Moema, Avenida Macuco.

Foi o único do ano, mas acho que por isso mesmo, foi muito, mas muito bom. Matamos saudades, compartilhamos um pouco de nossas vidas, rimos bastante. Pena que não houve tempo hábil para que outras comparecessem, mas por ter sido tão bom, todas saíram animadas para que se realize outro, logo no começo do ano. Momentos assim precisam acontecer mais vezes.










quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Fotografei o "Alma de Gato"!



Aproximadamente um mês depois que postei o texto abaixo, nosso Alma de Gato apareceu por aqui, passou de galho em galho tranquilamente e até me permitiu fotografá-lo sem muito espanto. Lindo!


Desapego ou renovo?




Já estava quase decidida a dar uma virada na minha vida, mudar-me, desfazer-me das coisas acumuladas durante décadas e que na verdade têm apenas valor sentimental e, eis que um pássaro diferente me aparece por aqui.

Há mais de um ano que não alimento as aves para desapegar-me delas, pra que cantem em outra freguesia. São sabiás, sanhaços, bem-te-vis, rolinhas, maritacas, corruíras, sebinhos, beija-flores e até um solitário pica pau, que mesmo sem a quirera e o girassol continuaram a cantar por aqui por causa das árvores frutíferas. Não ia deixar as aves morrerem de fome! 

Mas o novo pássaro me encantou. De bom porte, cauda  longa, cor de ferrugem, com detalhes amarelos nas pontas das penas da cauda. Um canto estranho  como um miado, o que justifica  seu  nome popular, encontrado na internet, é claro: Alma de Gato (Piaya Cayana).

Arisco demais, não se deixa fotografar, mas chega bem perto da casa, pousa nos galhos do limoeiro e se alimenta das lagartas que ali nasceram. Também vai ao chão e belisca as aparas de frutas que colocamos para as tartarugas.

Conclusão: já construí uma prateleira  (com sucatas pegas em caçamba) para alimentar as aves, comprei novamente quirera e semente de girassol,  podei as plantas, decorei com  alface de água o tanque dos peixes falecidos, até fiz uma semeadura  hidropônica de agrião e rúcula, tão animada fiquei. 





Minha  irmã não aceita  me ver presa a esta casa, mas até se animou com a ideia de que me torne guardiã de uma pequena reserva ambiental, com plantas, aves, água de nascente, muita paz e tranquilidade. Será que vai dar certo?

Foto e informações sobre o “Alma de Gato” encontrei neste site: 



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Memórias de Finados



Lembro-me do tempo em que fazia parte do movimento da Legião de Maria. Como é ainda hoje, tínhamos reuniões semanais, rezávamos o terço, fazíamos visitas às famílias, aos doentes e no dia de Finados, após a celebração da Missa, íamos ao cemitério de Santo Amaro, para, em duplas, rezar o terço na intenção dos mortos.

Naquele tempo não me sentia à vontade no cemitério. Aqueles túmulos abandonados, deteriorados, produziam em mim uma sensação de terror e voltava dessas manhãs de penitência, angustiada, pesada. Era muito jovem e nenhum dos meus ainda ocupava o túmulo da família, construído pelo meu avô.

Hoje, não participo mais da Legião de Maria, admiro de longe seu trabalho, mas vou por minha conta aos cemitérios e eles não me causam mais aquela impressão. Pelo contrário, ali, parece que estou em comunhão com meus falecidos, que hoje já são muitos e volto com a alma lavada, a certeza tranquila de que eles estão bem, livres de suas aflições, em paz. Que o que fiz ou deixei de fazer pertence a um tempo inatingível e que de nada adianta me ocupar disso.

Dos meus tempos de legionária guardo lembranças e saudades, entre os quais, minha parceira de terço no cemitério, a Damáris, amiga querida que reencontrei depois de 40 anos e já faleceu e o nosso grupo, do Praesidium Regina Angelorum, da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, de parte do qual tenho a foto que ilustra este texto.   

domingo, 27 de outubro de 2013

Dói, sempre dói...

Hoje completamos um ano do falecimento do meu pai, um dia depois da data de  nascimento da minha mãe, que este ano completaria 90 anos e se foi em fevereiro de 2011.  A vida cumpre seu  ciclo e,  na humildade de nossa impotência, só nos compete aceitar. Dizer amém!

Não quer dizer que seja fácil, que não haja dor, lágrimas, dúvidas, culpas, arrependimentos. Somos humanos. Aos que têm fé em algo além desta passagem terrestre  restam consolo e esperança. Mas dói, sempre dói.

Fui aos cemitérios, sim, cemitérios, são dois, cumprir o preceito  de finados, orar, levar flores àqueles que tanto as amavam em vida e porque não dizer, ter aquela conversa com eles. Avós, pai, mãe e filhos.

Depois da Missa, em intenção de todos da família, vivos e mortos, chego em casa e encontro mortos, os dois peixes  que restaram no tanque do meu pai. Estavam doentes, sendo tratados há alguns dias e morrem justamente hoje.

Senti como se um ciclo se encerrasse e realmente fosse  chegada a hora de dar um rumo no que resta da minha vida, liberta das teias que prendem ao passado. Criar coragem e desfazer-me de animais de estimação – ainda restam as tartarugas e o gato Azambuja - objetos, móveis e até da casa onde vivo, afinal somos apenas passageiros desta existência, nada realmente nos pertence, nem coisas, nem pessoas. Só nascemos e só deixaremos esta vida, então pra que ter tanto para cuidar se o que importa e conta é apenas o ser, e este, está em qualquer lugar ou situação em que estejamos.